segunda-feira, 25 de maio de 2015

Direto da Taça: Ferrer Ribière Empreinte du Temps Carignan 2013, oriundo de vinhas que "marcam o tempo" há 138 anos!


Os vinhedos do Domaine Ferrer Ribière estão situados na região do Roussillon, nos arredores da cidade de Perpignan, bem perto da fronteira com a Espanha e o Mar Mediterrâneo. Eles são fruto de um trabalho iniciado em 1993 pela dedicada dupla de viticultores franceses Denis Ferrer e Bruno Ribière, 

Seguindo os preceitos da biodinâmica, Ferrer e Ribière cultivam pequenas parcelas de diversas castas regionais, resgatando vinhas velhas abandonadas e buscando elaborar os vinhos mais "puros" possíveis. Eles conduzem cada casta e cada vinha na direção da essência de seu terroir, sem grandes interferências da mão humana. 

Ferrer e Ribière ao lado de vinhas mais que centenárias de Carignan 

No caso desse Carignan, a maioria de suas vinhas apresenta uma idade média de 60 anos, mas uma porção significativa delas é constituída de videiras pré-filoxéricas, plantadas em forma de cálice e que atingiram a incrível marca de 138 anos de idade, figurando certamente entre as mais antigas vinhas em produção de todo o planeta. 

O vinho foi elaborado através de métodos tradicionais para realçar o caráter natural da fruta, no caso, um processo de maceração carbônica durante 15 dias, cuja fermentação foi concluída numa mescla de tanques de cimento e barricas usadas. O amadurecimento do vinho também foi feito na mesma mescla de recipientes, alternado conforme as posições do sol e da lua, por um período de 6 meses.

Impressões de degustação:
A pureza da fruta é imediatamente percebida na intensa coloração quase violeta do vinho. Os aromas vivos de fruta madura lembram amoras pretas, cassis e até jabuticabas. As notas doces de alcaçuz ficaram bem equilibrados pelo sutil traço agridoce. Na boca, o vinho mostrou taninos muito bem balanceados, apresentando aquela discreta sensação de gás, típica da maceração carbônica. A sensação de mineralidade e frescor, percebidos desde o início, conferiram a este Carignan uma deliciosa leveza no paladar, tornando-o "perigosamente" fácil de beber. Como resultado, ele evaporou rapidamente da garrafa e das taças... Meus aplausos a seus criadores!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Go Wine! Importadora de vinhos franceses lança rede social exclusiva para vinhos!

Go Wine!

O aplicativo para smartphones e tablets Go Wine! foi lançado pela importadora Chez France como uma rede social voltada especialmente para enófilos e apreciadores de vinhos. Nessa nova plataforma, o usuário pode trocar informações e contar suas experiências com um determinado rótulo, adquirindo conhecimentos sobre o tema de maneira divertida e prática.

Mas a Go Wine! é muito mais que uma simples rede social onde o famoso “like" (curtir) é substituído por um “brindar”. Para cada real gasto em compras na importadora Chez France ou nos parceiros é revertido em créditos que podem ser trocados por diversos prêmios relacionados ao vinho. 

Assista o vídeo sobre como funciona o Go Wine!

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Os Balcãs na taça: degustando os exóticos tintos da Romênia, Bulgária, Eslovênia e Grécia!

Degustação dos Balcãs: Romênia, Bulgária, Eslovênia e Grécia na taça!

Para a maioria dos enófilos de hoje, os Balcãs, a extensa região montanhosa localizada no sudeste da Europa, é identificada com o vinho apenas pelo aspecto histórico, sendo considerada a mais antiga região produtora do mundo e origem de muitas castas viníferas.  

Durante décadas, subjugados por regimes socialistas, a maioria das áreas produtoras de vinho nos países que compõem a região deixaram essa atividade em segundo plano, especialmente no aspecto qualitativo. Com a queda desses governos no final dos anos 1980, países como a Eslovênia, Croácia, Macedônia, Moldávia, Romênia e Bulgária finalmente puderam correr atrás do tempo perdido e, aos poucos, voltar ao cenário vinícola mundial.

Aqui no Brasil temos muito poucas opções de rótulos para degustar ou comprar oriundos dos Balcãs, mas graças a ousadia da Winelands, uma pequena importadora que traz vinhos bastante diferentes para seu clube de vinhos, já é possível encontrar um bom número deles por aqui.

Reuni uma pequena seleção com 4 vinhos tintos oriundos de diferentes países da região (Romênia, Bulgária, Eslovênia e Grécia), dois deles produzidos com castas internacionais (um Merlot e um CS) e os demais com castas autóctones (Feteasca Neagra e Xinomavro), para colocá-los diante de um grupo de enófilos acostumados com vinhos de estilo moderno e avaliar a receptividade que teriam em uma degustação.

Para obter a maior isenção possível na avaliação do grupo, a degustação dos vinhos foi feita às cegas e sem nenhum aviso prévio sobre o tema. O resultado foi bastante interessante e, de certa forma, esclarecedor. Como era de se esperar, os dois vinhos feitos com Merlot e CS foram os mais apreciados, enquanto os "autênticos" tintos feitos com Feteasca Neagra e Xinomavro causaram uma certa estranheza ao paladar deles.

No meu modo de ver isso se deu mais pela familiaridade desse grupo com as castas internacionais do que por um diferencial qualitativo dos vinhos (ainda que eu mesmo tenha achado o Merlot búlgaro o melhor de todos). Reconheço que o paladar exótico da grega Xinomavro (literalmente, negra ácida) e da romena Feteasca Neagra (donzela negra, em português) necessitam de uma certa "aproximação" prévia para serem melhor entendidos.

Apesar de tudo isso, o aspecto mais valioso na prova destes vinhos foi enxergar o bom potencial qualitativo que eles tem para oferecer. Tomara que o "tempo perdido" nos anos do comunismo sejam rapidamente recuperados, resgatando a tradição de sua antiga origem.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Conheça o vinho espanhol de quase 1000 anos e que nunca deve acabar!


As grossas paredes românicas da Basílica de San Isidoro de León guardam valiosos tesouros espanhóis do século XI. Eles podem ser admirados por qualquer turista que a visite, mas essa igreja quase milenar também guarda um outro tesouro que permanece escondido dos olhares curiosos dos visitantes: o vinho (potável) mais antigo do mundo.

Essa verdadeira joia vínica, armazenada num tonel de madeira de (alegados) quase 1000 anos, contém cerca de 176 litros de um vinho que, segundo os  poucos privilegiados que já o provaram, ele tem um sabor forte e adocicado.


O tonel é mantido num ambiente escuro e sob temperatura constante, trancado por uma pesada porta com duas chaves, abertas apenas uma vez por ano: a Quinta-feira da Semana Santa. Na noite dessa ocasião única, a porta centenária que protege o tonel é aberta e o volume equivalente a uma garrafa de vinho (750 ml) é retirado de seu interior. Em seguida, num processo similar a uma solera, dois litros do melhor vinho de Jerez são introduzidos no tonel para compensar as perdas decorrente da evaporação pelos poros da madeira e da parte do vinho retirada naquele ano.

As poucas pessoas têm o privilégio de experimentar esse vinho a cada ano dizem que ele "não cura doenças, mas alimenta a alma."

Fonte: Saber de Vino

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Gadget a ser lançado em junho promete extrair os incômodos sulfitos do vinho!


É impressionante ver a quantidade de acessórios (gadgets) desenvolvidos para facilitar algo tão simples como beber vinho. A maior parte deles é composta apenas de releituras e aperfeiçoamentos de objetos que já existem, como saca-rolhas, decanters e taças.

Desta vez, surgiu algo bastante inovador: o Ullo! Esse pequeno acessório, semelhante a um aerador, promete "extrair" os sulfitos (conservantes naturais ou adicionados durante o processo de vinificação) presentes no vinho, conhecidos causadores de alergias e dores de cabeça em alguns desafortunados consumidores.

Desenvolvido através de uma  campanha de arrecadação de fundos no Kickstarter, o Ullo rapidamente obteve os recursos necessários para ser lançado no próximo mês de junho no mercado americano.


James Kornacki, doutor em química e um dos mentores do Ullo, explicou que o dispositivo possui um sistema de cápsulas de filtragem composto por um polímero poroso que se reage quimicamente com os sulfitos, grudando-os a ele. Assim, basta que o usuário derrame o vinho na taça (ou decanter) através do Ullo para que o vinho fique livre dos indesejados sulfitos.

"O desafio não estava tanto na extração dos sulfitos do vinho, outros filtro de água poderiam fazer isso, mas levaria todo o resto também. O desafio era fazer isso de modo seletivo e segurança alimentar", disse Kornacki em entevista ao jornal Chicago Tribune.
O preço final do Ullo ainda não está definido, mas deve ficar entre US$ 60 e US$120, incluindo um decanter especialmente desenhado para acomodar o acessório. As cápsulas de filtragem, com capacidade para "limpar" uma garrafa de vinho, serão vendidas em kits separados e também não tiveram seu preço final determinado.

Como um dos desafortunados que, às vezes, sofre com a presença excessiva de sulfitos no vinho, espero que esse dispositivo realmente funcione sem causar nenhum prejuízo ao caráter sensorial dos vinhos.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Painel de Degustação: Tops do Napa Valley safras 2005 a 2007, versões de Bordeaux nos EUA!


Apesar do tema original do painel de degustação ser mais abrangente (Tops Americanos - safras 2005 a 2007), por coincidência, neste ano ele reuniu apenas vinhos do privilegiado terroir do Napa Valley. Dali nascem as melhores versões dos verdadeiros "Bordeaux Blends" franceses e, para muitos enófilos, alguns até são superiores aos originais (o Desafio de Paris não os deixa sem alguma razão).

Centrados na casta Cabernet Sauvignon e em blends onde ela predomina, os vinhos do Napa Valley realmente costumam apresentar características bastante similares aos da região de Bordeaux, especialmente do Médoc, onde a CS é preponderante. 

Esse aguardado painel de degustação da Desconfraria mais uma vez trouxe grandes surpresas no resultado final da avaliação dos vinhos, levando alguns a imaginar que ele poderia estar de "cabeça para baixo" se forem considerar apenas as notas dadas pela crítica especializada. 

De um modo geral, os 10 vinhos degustados apresentaram um alto nível e características muito semelhantes, deixando que os pequenos detalhes fizessem a diferença na avaliação. Isso até poderia ajudar a explicar por quê alguns grandes vinhos (provavelmente ainda longe de seu auge) tenham ficado para trás.

Na minha visão pessoal, fiquei bastante satisfeito em perceber que na grande maioria desses vinhos, a presença mais sensata do uso do carvalho novo deu espaço para que a fruta, a acidez e taninos mais sedosos ficassem no centro das atenções. 

O resultado a seguir refletiu as preferências do grupo durante a prova, mas posso assegurar que a classificação final dos vinhos não deve ser vista como indicativo de "pior ou melhor" para nenhum deles. Foi apenas mais um "desfile de misses" onde uma polegada* fez toda diferença!

*A "polegada" é uma alusão a antiga polêmica sobre a perda do título de Miss Universo pela brasileira Marta Rocha nos anos 1960. Os mais "antigos" devem se lembrar bem da história...

10º lugar: Dominus 2006 - Napa Valley
 91% Cabernet Sauvignon, 6% Cabernet Franc e 3% Petit Verdot (RP96)

9º lugar: Roy Estate 2006 - Napa Valley
82% Cabernet Sauvignon, 15% Merlot e 3% Petit Verdot (RP94)

8º lugar: David Arthur Cabernet Sauvignon 2005 - Napa Valley
100% Cabernet Sauvignon (WS85)

7º lugar: Caymus CS Special Selection 2007 - Napa Valley
100% Cabernet Sauvignon (RP93/WS96)

6º lugar: Beaulieu Vineyard Georges de Latour CS 2005 - Napa Valley 
100% Cabernet Sauvignon (WS84)

5º lugar: Paul Hobbs CS Beckstoffer to Kalon 2006 
Oakville - Napa Valley 
100% Cabernet Sauvignon (RP96+/WS93)

4º lugar: Chappellet Mountain Cuvée 2007 - Napa Valley 
51% Cabernet Sauvignon, 46% Merlot, 1% Malbec, 1% Cabernet Franc e 1% Petit Verdot (WS92)

3º lugar: Quintessa 2006 - Rutherford - Napa Valley 
Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot e Carmenère (RP88/WS86)

2º lugar: Groth Cabernet Sauvignon 2005 - Oakville - Napa Valley
100% Cabernet Sauvignon (WS85)

1º lugar: David Arthur Cabernet Sauvignon 2007 
Pritchard Hill - Napa Valley
95% Cabernet Sauvignon e 5% Petit Verdot (RP95/WS91)

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Harmonizando... Torta Capixaba x Anselmo Mendes Muros de Melgaço Alvarinho 2012!


Que vinho iria bem com a Torta Capixaba, o mais tradicional prato da gastronomia do Espírito Santo? Aproveitei a oportunidade que tive na semana passada e testei uma combinação entre o excelente Muros de Melgaço, um vinho verde português feito com a casta Alvarinho, e uma caprichada torta preparada por meu pai.  

Apesar de não estar mais na época, já que tradicionalmente ela é preparada apenas na Semana Santa, essa Torta Capixaba "tardia" costuma ficar ainda mais saborosa e rica que aquela feita no período habitual. O recheio é propositalmente feito em excesso e fica congelado até uma ocasião propícia para um novo preparo, deixando seus ingredientes com um gosto ainda mais apurado. 

Para quem não conhece o prato, o recheio da Torta Capixaba é constituído por um "blend" de frutos do mar (camarão, siri, caranguejo, sururu e bacalhau) e palmito, preparados com um tempero similar ao da moqueca, cobertos por uma camada de ovos batidos e assada no forno.

Considerando os sabores marcantes desse prato, decidi que um vinho branco de ótima acidez e leve caráter frutado seria uma boa aposta para harmonizar com ele. Dentre algumas possibilidades disponíveis na adega, minha escolha recaiu neste Alvarinho de Anselmo Mendes, um dos expoentes na elaboração de vinhos verdes em Portugal.

A meu ver a combinação entre o prato e o vinho foi muito bem sucedida. O caráter ligeiramente untuoso e cítrico do Alvarinho equilibrou-se muito bem com a complexa alquimia de sabores dos mariscos e do bacalhau. Por contraste, a leveza do vinho também balanceou o "peso" desse substancioso prato capixaba. Harmonização mais do que aprovada! 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Winetube: Vinodentro (O Vinho Perfeito) chega aos cinemas brasileiros!

Vinodentro (2013), título original em italiano

Boas notícias para os enófilos e cinéfilos que esperavam pela oportunidade de assistir esse filme italiano que tem o vinho como fio condutor do enredo. Segundo o site Adoro Cinema, "O Vinho Perfeito" chega às telas brasileiras ainda neste mês de maio.

A história gira em torno de Giovanni Cuttin e seu amor pelo vinho. Uma paixão que começa com um Marzemino, vinho mencionado por Lorenzo da Ponte, na ópera Don Giovanni de Mozart. Daquele momento em diante, o secretário tímido se torna um galanteador diretor de banco e um dos especialistas em vinhos mais reverenciados da Itália. 

A glamourosa vida de Giovanni dá uma guinada radical quando ele se torna suspeito de ter assassinado sua esposa Adele. Durante o interrogatório feito pelo Inspetor Sanfelice, Giovanni faz uma reflexão sobre os últimos três anos de sua vida, dominado por sua louca paixão pelo vinho. 

Numa mescla de comédia e suspense, "O Vinho Perfeito" (Vinodentro) tem tudo para divertir qualquer cinéfilo: enófilo ou não... Assista o trailer a seguir e me diga se não tenho razão!


Trailer de Vinodentro, de abstêmio à sommelier...

Essencia: Royal Tokaji lança nova safra de um dos mais raros vinhos doces do mundo!

Royal Tokaji Essencia 2007

Produzido apenas pela quinta vez nos últimos 25 anos, o Essencia da safra 2007 acaba de ser lançado pela vinícola húngara Royal Tokaji. Foram elaboradas pouco mais de duas mil garrafas de 375 ml deste que é o mais raro dentre todos os Tokajis.

O Essencia é elaborado somente nos anos em que os níveis de açúcar das uvas atingem a perfeita maturação. Habitualmente, são necessários entre 6 e 8 anos de um lentíssimo processo de fermentação para finalizar o vinho. 

O resultado é um caldo com concentrações imensas de açúcar residual (que podem alcançar os 85%) e um teor de álcool inferior a 3%, pois as leveduras morrem antes de conseguir converter uma parcela maior de açúcar em álcool. 

A Royal Tokaji, vinícola que tem entre seus sócios o ilustre especialista em vinhos Hugh Johnson, só conseguiu as condições ideais para elaborar esse verdadeiro "néctar" (muitas vezes consumido com uma pequena colher) em outras quatro safras desde 1990: 1993, 1999, 2000 e 2003.

domingo, 10 de maio de 2015

Open Wine University: um curso sobre vinhos online e gratuito na Universidade da Borgonha!

Desenvolvido pelos professores do Instituto Acadêmico da Vinha e do Vinho da Universidade da Borgonha, o MOOC é um curso online e gratuito com duração de cinco semanas que vai levar o aluno através de uma viagem pelo mundo do vinho e das vinhas. 

Desde noções sobre viticultura e terroir, até as técnicas de degustação de vinhos, o aluno do curso terá a oportunidade de descobrir todas as fases e processos que envolvem a elaboração de diferentes vinhos franceses, bem como as etapas essenciais na degustação de vinhos. 

Por que um vinho é branco, tinto, rosé ou espumante? Como treinar seus sentidos para detectar sabores e aromas? O MOOC vai fornecer as respostas sobre essas e muitas outras perguntas sobre o vinho, trazendo ainda informações sobre a a história das castas e do ambiente sócio-cultural em torno dos vinhos e das vinhas.

A estrutura do curso está distribuída em cinco lições semanais com início programado para o dia 21 de maio e término no dia 18 de junho. Assista um breve trailer sobre o curso e, se for de seu interesse, acesse o link e inscreva-se!