sexta-feira, 19 de abril de 2013

Painel de Degustação: Tintos do Douro 2004 e 2005, um "blend" cheio de surpresas e uma certa decepção...

As 12 garrafas do Douro degustadas...

Desde o início da década de 1990, os vinhos do Douro deixaram de ser reconhecidos apenas por seus Vinhos do Porto (fortificados) e rótulos clássicos (secos) como o Barca Velha ou o Casa Ferreirinha Reserva Especial, passando também a produzir inúmeros vinhos de destaque no cenário vinícola internacional.

No mais recente painel de degustação da Desconfraria, realizado ontem num tradicional restaurante português, pudemos avaliar diversos rótulos desta moderna onda enológica do Douro, das excelentes safras de 2004 e 2005. Nomes consagrados como Quinta do Vale Meão, Chryseia, Quinta do Crasto e Xisto estavam presentes, mas para a surpresa da maioria, não foram eles os grandes destaques do painel, pelo contrário, de certo modo, foram uma inesperada decepção...

Taças a postos...

A principal queixa dos degustadores foi dirigida a um aspecto fundamental em qualquer vinho de qualidade: a acidez! Era quase unânime a percepção de que os vinhos careciam desse elemento vital, deixando os poderosos taninos maduros presentes nos vinhos, sem seu contrapeso ideal. No meu caso em particular, escrevi pela primeira vez no ano, uma nota de degustação sobre um vinho com o "adjetivo": CHATO, ou seja, com baixíssima acidez perceptível no paladar. Eu ainda não sabia, mas observei isso justamente no vinho (excelente no papel) que eu mesmo levei. Nada como uma degustação às cegas...

Veja quais foram os vinhos presentes na degustação, por ordem decrescente de classificação:

12º lugar: Quinta da Romaneira 2005
Realmente o vinho mais fraco do painel, com taninos meio "duros" e acidez muito discreta, desequilibrado.

11º lugar: Chryseia 2004
Primeira, mas não única surpresa da noite, este Chryseia (parceria do francês Bruno Prats com a família Symington) não agradou a um número suficiente de participantes, eliminando-o precocemente. No meu caso em particular, foi um de meus preferidos, justamente pela qualidade de sua acidez.

10º lugar: Chryseia 2005
As taças não mentem... Mais um Chryseia eliminado, neste caso, com taninos pouco inspiradores e um final bastante curto, concordei!

9º lugar: Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2005
Mais uma surpresa! O Quinta do Crasto, especialmente o Vinhas Velhas, sempre me agradou muito (este não foi diferente), mas pelo caminho justamente pela acidez aquém do desejável.

8º lugar: Chryseia 2004
Quem o levou já devia estar esperando por isso... Mais um Chryseia que sucumbiu. Curiosamente, analisando-o comparativamente com a outra taça presente, notei grande diferença aromática entre eles. Possivelmente, por questões de guarda.

7º lugar: Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2005
Dentro da lógica, era natural que esse também saísse do páreo. Sobre este vinho anotei: excesso de aromas mentolados, boca sem expressão... Dizer mais o quê?

6º lugar: Quinta do Vale Meão 2004
Para minha grande decepção, o vinho tinto (não fortificado) do Douro de melhor avaliação de todos os tempos na Wine Spectator (WS97), fracassou redondamente. Frustração adicional justamente por ter sido o vinho que levei para o painel. Como eu citei no início do texto: chato, praticamente sem acidez, com excesso de fruta madura que lembrava alguns tintos desérticos sul-americanos. Uma lição para aqueles que ainda se fiam em notas de revista...

5º lugar: Quinta da Romaneira Reserva 2004
Uma boa surpresa (positiva) do painel, equilibrado, com boa acidez e taninos bastante finos. Um de meus preferidos!

4º lugar: Xisto 2005
Outra parceria luso-francesa, o Xisto confirmou sua notoriedade e mostrou-se um dos vinhos mais completos do painel, cheio de intensidade, mas sem deixar a elegância de lado. Belo vinho!

3º lugar: Evel Grande Escolha 2004
Eis aqui um clássico da Real Companhia Velha que há muitos anos não bebia! Um vinho que mereceu chegar até aqui. Perfil clássico, com ótima expressão de fruta, balanceada por taninos finos e acidez intensa. Um legítimo representante da viticultura de Portugal!

2º lugar: Evel Grande Escolha 2004
Sem surpresas, mais uma ótima garrafa deste vinho que chegou empatado na votação final. Ficou em segundo apenas pelas votações das rodadas anteriores...

1º lugar: Secret Spot 2004
Um rótulo de pequena produção e menos conhecido do público, mas que seduziu pelo ótimo equilíbrio gustativo e seus aromas incisivos de tabaco, café expresso e notas de chocolate amargo. Realmente delicioso e merecedor do título de melhor vinho da noite (talvez empatado com o Evel Grande Escolha).

Em resumo, pela qualidade implícita deste vinhos do Douro de duas excelentes safras, apesar de algumas boas surpresas, confesso que esperava muito mais... Meu consolo é saber que a próxima parada, daqui a duas semanas, é na "estação" Borgonhas tintos 2002 e 2003!

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