terça-feira, 16 de outubro de 2012

Direto da Taça: Gloria Reynolds 2004 e Secret Spot King 2004, Alentejo e Douro em grande forma!

Secret Spot King 2004 e Gloria Reynolds 2004

Aqui estão dois grandes vinhos portugueses que são pouco conhecidos do público. Apesar das origens distintas dentro do país: um é do Douro e o outro do Alentejo, é o grande esmero dedicado à elaboração de cada um deles que os torna tão próximos.

O Secret Spot Douro (também existe uma versão feita no Alentejo) é um projeto autoral do viticultor Gonçalo Sousa Lopes e do enólogo Rui Cunha, que escolhem anualmente uma única vinha entre as diversas que eles gerenciam, que apresente um potencial especial para criar um vinho com qualidades únicas.

O nome Secret Spot decorre do segredo da escolha anual da vinha, identificada apenas pela cor do topo da cápsula (neste caso, dourada para representar uma vinha do Douro), podendo ter outras cores em safras futuras. A edição 2004 foi a primeira delas.

Esta safra foi abençoada com uma maturação perfeita no Douro, gerando uvas de grande qualidade. A vinha escolhida para fazer o vinho tinha mais de 70 anos de idade e como era de se esperar é composta por uma grande mistura de castas típicas do Douro e que geraram uma produção ínfima de menos de 200 gramas de uvas por planta. O vinho foi elaborado com uvas colhidas e desengaçadas manualmente, fermentadas em lagares de pedra e que amadureceu por 14 meses em barricas de carvalho novo. Foi engarrafado sem qualquer tipo de estabilização ou filtração, preservando ao máximo suas características naturais.

Impressões de degustação:
 Este belo vinho foi degustado em garrafa magnum (daí o "King" no rótulo). Coloração de um vermelho rubi muito vivo e intenso. No olfato, indicou claramente estar ainda bem jovem, repleto de aromas de frutas vermelhas frescas de um caráter bastante silvestre, seguido de notas de baunilha, discreto chocolate e deliciosas notas defumadas. No paladar, mostrou-se incrivelmente equilibrado e macio, com taninos sedosos mas punjantes. Acidez perfeita e corpo bem balanceado, resultando num vinho com todos os elementos muito bem integrados. Soberbo!


Do outro lado, temos o Gloria Reynolds, o vinho top da pequena vinícola da família Reynolds, de origem inglesa e estabelecida na região do Alentejo desde 1856, onde começaram a exploração da cortiça para a indústria vinícola. O nome Gloria Reynolds é uma homenagem à mãe do atual proprietário, Julian Reynolds.

O vinho é composto de um corte das castas Alicante Bouschet e Trincadeira das melhores vinhas da Herdade da Figueira de Cima, onde foram desengaçadas e fermentadas, seguindo para longos 24 meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês e repouso nas garrafas por pelo menos mais seis meses antes de seguir para a venda.

Impressões de degustação:
Cor granada escura e profunda, seguida de aromas de frutas negras em compota, especiarias, terra e notas achocolatadas bastante intensas. Na boca, exibiu uma ótima estrutura tânica, intensa e macia, com muito frescor e presistência. Um vinho perfeitamente equilibrado e já pronto para beber (não significando que não possa evoluir ainda mais) que representa a maravilhosa tipicidade alentejana, cheio de um caráter frutado, que o torna muito agradável de beber.  

Colocados lado a lado, estes dois vinhos são perfeitos exemplos da essência de cada uma de suas regiões, exibindo toda a desejada tipicidade e terroir que os originaram, mas nos sentidos, convergem para uma configuração muito similar, dominada pelo equilíbrio e suavidade, tornando-os verdadeiros "símbolos" da moderna enologia portuguesa.