sábado, 13 de outubro de 2012

Direto da Adega: Pintia 2002, L'Etoile de Bergey 2001 e Trapiche Fond de Cave 2001!


Aproveitando um fim de tarde chuvoso, reuni alguns amigos para celebrar o "Dia das Crianças" provando, entre outros, os três vinhos citados no título, todos eles chegando ou acabando de ultrapassar uma década de vida. 

Considerando as origens, castas e patamares de qualidade distintos: um Cabernet Sauvignon argentino de uma linha intermediária da Trapiche, um segundo vinho do Château Haut-Bergey (Pessac-Léognan) e o top espanhol Pintia (Toro), do grupo Vega Sicilia, era de se esperar que encontrássemos níveis diversos de apreciação, podendo encontrar algum vinho já fora de seu momento ideal de consumo. Para nossa sorte, cada um deles, à sua maneira, se mostrou íntegro e até mesmo uma "criança" ainda...

L'Etoile de Bergey 2001

Começamos pelo L'Etoile de Bergey 2001, um típico corte bordalês de CS (54%) e Merlot (46%) amadurecido em barricas de carvalho (50% novas) por 18 meses. Após uma passagem de cerca de uma hora no decanter, apresentou uma cor rubi mediana sugerindo discretamente sua evolução, aromas refinados de frutas vermelhas frescas, leve mentolado e notas intensas de terra úmida e tabaco. Na boca, a passagem dos anos trouxe uma perfeita integração dos taninos com a madeira e o álcool, todos arrematados por uma delicada e justa acidez. Final de boca longevo e muito prazeroso. Um vinho que vale cada centavo pago, um autêntico clarete bordalês!

Trapiche Fond de Cave CS 2001

Em seguida, passamos para o Fond de Cave CS 2001 da Trapiche, um tinto varietal das linhas básicas desta vinícola, que há muitos anos não bebia. O vinho, mesmo não sendo "projetado" para isso, alcançou os 11 anos de idade com galhardia, exibindo uma bonita cor vermelho rubi e leve halo atijolado. No nariz, ofereceu notas de tênues de frutas vermelhas, pimenta negra, couro, café e fundo de torrefação. Na boca, taninos finos, boa acidez, um corpo médio e final de boca com discreto, mas agradável, amargor. Um vinho que realmente chegou ao seu limite, mas que ainda oferece ótimas sensações.

Pintia 2002

Minha intenção original era abrir o Pintia 2001, mas devo confessar que já prenunciava o que iria acontecer e pulei um ano, abrindo o 2002 (uma safra apenas razoável na Espanha) em seu lugar. Elaborado com 100% Tinta de Toro (Tempranillo mesmo, se preferir), o vinho amadureceu durante 13 meses em barricas de carvalho novo (70% francês e 30% americano). Na taça, a cor granada escura e densa já advertiam para  o inevitável: o vinho ainda estava em sua tenra infância! No olfato, aromas intensos de frutas negras, baunilha, coco e um rico traço mineral reafirmaram essa impressão. Finalmente no palato, a explosão de frutas negras maduras, taninos vigorosos, caráter picante e uma refinada acidez, selaram o veredito: um grande vinho que, em uma década, só exibiu a "ponta do iceberg", deixando claro que mais outra década de repouso e afinamento não lhe faria mal. Baseado apenas nesta pequena porção do todo, o Pintia 2002 deverá merecer um lugar de destaque em qualquer adega que o possua. Um grande vinho!