Nesta semana, o Wine Road Show da importadora Épice passou por Vitória apresentando algumas das vinícolas de seu diversificado portfólio, dentre as quais destaquei a excelente Bodega espanhola Muga.
Fundada há 80 anos, em 1932, a Muga possui cerca de 200 hectares situados ao redor da tradicional vila de Haro, na Rioja Alta, local emblemático de algumas das mais prestigiadas bodegas da Rioja. Fiel aos métodos tradicionais de elaboração de vinhos na região, a Bodegas Muga produz suas próprias barricas e tonéis de carvalho, possuindo cerca de 14.000 desses recipientes, fundamentais para o perfeito afinamento de seus vinhos.
O resultado desse esmero na elaboração dos vinhos pôde ser apreciado em 5 dos 8 rótulos da vinícola disponíveis no Brasil:
MUGA BRANCO 2010
Elaborado com um corte de Viura (90%) e Malvasia (10%), o Muga branco passou por intensa maceração e fermentou em barricas de carvalho novo francês, nos quais permaneceu em contato com as borras por mais 3 meses.
Exibiu uma cor amarelo dourada e brilhante, aromas ricos de baunilha, frutas cítricas e um leve toque de ervas finas. Na boca, mostrou-se muito macio, ligeiramente untuoso e com acidez mediana. Final de boca correto, com boa persistência e sem amargor significativo.
Exibiu uma cor amarelo dourada e brilhante, aromas ricos de baunilha, frutas cítricas e um leve toque de ervas finas. Na boca, mostrou-se muito macio, ligeiramente untuoso e com acidez mediana. Final de boca correto, com boa persistência e sem amargor significativo.
MUGA RESERVA 2007
Elaborado com o corte tradicional da região (70% Tempranillo, 20% Garnacha e 10% de Mazuelo e Graciano), o Muga Reserva passou 12 meses em grandes tonéis de carvalho usado, seguidos de 24 meses em barricas de carvalho (americano e francês) e mais 12 meses de afinamento em garrafa.
Cor rubi escura, com aromas de frutas vermelhas e baunilha bastante intensas e notas de defumados e torrefação. Na boca, ofereceu um corpo médio, refinado, com taninos bem polidos, acidez balanceada e boa complexidade. Um Rioja típico e que precisa de mais uns anos para exibir todo seu potencial. Uma excelente opção abaixo dos R$100.
MUGA RESERVA
SELECCIÓN ESPECIAL 2005
Também elaborado com o tradicional corte riojano (70% Tempranillo, 20% Garnacha e 10% Mazuelo e Graciano), o Selección Especial difere do Reserva por passar apenas 6 meses (ao invés de 12) nos tonéis de carvalho usado e 30 meses (ao invés de 24) em barricas de carvalho (americano e francês) e mais 12 meses de afinamento em garrafa. Essa distribuição diferente no amadurecimento, contribui para dar-lhe um estilo mais moderno, sem que isso lhe tire a ótima capacidade de evolução, numa clara tentativa de aliar o melhor dos dois "mundos", o tradicional e o moderno.
Cor rubi escura quase púrpura e muito brilhante. Aromas intensos de frutas vermelhas maduras (cereja, framboesa), baunilha e notas de cedro e chocolate. Na boca, compensa esse "ar moderno" com taninos bem trabalhados, sedosos e ao mesmo tempo potentes. A acidez muito bem dosada e o ótimo corpo conferem ao vinho o desejado equilíbrio e proporcionam uma expectativa de que possa evoluir muito ao longo de mais uma década. Um Rioja capaz de agradar todos os paladares e que merece um lugar na adega de qualquer um. Considerando níveis de preço e qualidade presente, é o grande achado da vinícola! Custa cerca de R$180.
MUGA GRAN RESERVA PRADO ENEA 2004
Elaborado com 80% de Tempranillo e outros 20% de Garnacha, Mazuelo e Graciano, o Prado Enea leva longos 7 anos para ficar pronto (12 meses em grandes tonéis, 36 meses em barricas de carvalho e mais 36 meses de afinamento em garrafa). Todo esse tempo resulta num vinho de grande expressão aromática, gustativa e de expressivo potencial de evolução, cujas uvas (e as do Torre Muga) são as últimas a entrar na vinícola, garantindo condições ótimas de maturação.
Cor rubi média e brilhante. Aromas finos de frutas vermelhas frescas, leve traço de couro e tabaco e notas florais. Na boca, um refinamento e uma complexidade extraordinária se revelam e deixam claro que o esforço e o tempo necessário para produzi-lo valeu à pena. Taninos finíssimos e acidez sob medida se equalizam perfeitamente com o corpo mediano e sedoso, conferindo ao vinho um perfeito equilíbrio. Provado em garrafa magnum, provavelmente ficou ainda melhor. Um Rioja de grande destaque que merece ser aberto apenas em ocasiões especiais. Sem olhar o preço (cerca de R$250), o meu preferido!
Cor rubi média e brilhante. Aromas finos de frutas vermelhas frescas, leve traço de couro e tabaco e notas florais. Na boca, um refinamento e uma complexidade extraordinária se revelam e deixam claro que o esforço e o tempo necessário para produzi-lo valeu à pena. Taninos finíssimos e acidez sob medida se equalizam perfeitamente com o corpo mediano e sedoso, conferindo ao vinho um perfeito equilíbrio. Provado em garrafa magnum, provavelmente ficou ainda melhor. Um Rioja de grande destaque que merece ser aberto apenas em ocasiões especiais. Sem olhar o preço (cerca de R$250), o meu preferido!
TORRE MUGA 2006
Apesar da composição semelhante (75% Tempranillo, 15% Mazuelo e 10% de Graciano), o Torre Muga é um vinho de perfil nitidamente diverso do Prado Enea, um vinho construído na modernidade, com longa maceração e amadurecimento em barricas novas de carvalho francês (18 meses). Um "super-vinho" para agradar o paladar que domina o cenário atual.
Cor púrpura muito densa e concentrada. Aromas poderosos de frutas negras em compota, chocolate, cedro e notas de torrefação e melado de cana. Na boca, exibiu toda a vigorosa estrutura de um vinho de sua estirpe, com taninos potentes e com certa dose de doçura. Apesar disso, conseguiu preservar acidez suficiente para balanceá-lo adequadamente. Final de boca muito persistente e sedoso. Um vinho voltado para os amantes da força e exuberância tânica dos vinhos do "Novo Mundo".