Duelo de Blends
Nada melhor numa bela tarde de feriado do que dois belos vinhos para degustar, no caso, um pequeno duelo entre um vinho do "Novo Mundo" e um do "Velho Mundo", ambos da safra 2003. De um lado, o Seña, o ícone chileno do Valle de Aconcágua, do outro, o português Cortes de Cima Reserva, um dos grandes tintos do Alentejo, ambos feitos com blends de castas diversas.
Abertos e decantados cerca de meia hora antes do serviço, os vinhos, apesar da grande diferença na composição, apresentaram colorações bastante semelhantes. O Seña é resultado de um corte composto das castas Cabernet Sauvignon (predominante), Merlot, Cabernet Franc e Carmenère, que amadureceram 18 meses em barricas de carvalho francês novo. O Cortes de Cima Reserva foi elaborado com Syrah (42%), Aragonês (39%) e Touriga Nacional (19%), amadurecidas por 12 meses em barricas francesas e americanas.
Curiosamente, durante a degustação observamos uma aparente inversão de estilos, com o Seña tendendo para um vinho mais europeu, cheio de taninos refinados, acidez exuberante e aromas muito complexos. Em contraponto, as uvas muito maduras do "solar" ano de 2003 deram ao Cortes de Cima um perfil mais moderno do que já seria de se esperar. com uma fruta madura quase confitada, um nível de acidez mais contido e uma maciez deliciosa no paladar.
Na prática, os vinhos caminharam para um "meio termo", deixando os degustadores num grande dilema para tomar um partido qualquer. Pessoalmente, dei ligeira vantagem para o Seña, com seus complexo aromas de evolução (ainda não totalmente desenvolvidos) e agradável acidez. Um tinto chileno que bebemos uma garrafa sem sentir!
Nada disso porém diminuiu o prazer de degustar o grande tinto alentejano, um vinho carnudo, potente e facílimo de agradar paladares modernos e tradicionais. Uma tarefa nada fácil!
Em resumo, são dois belos vinhos que você não deve deixar de beber (e comprar) sempre que tiver a oportunidade.