quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Champagne mesmo, mas de DNA brasileiro (ou será chileno?)


"No Chile não há uma paisagem vinícola como esta", comenta Mario Geisse ao olhar para o vale diante de si, no deque de sua casa em Pinto Bandeira, no Rio Grande do Sul. A observação é desprovida de ufanismo.
Mario nasceu no Chile e vive entre os dois países, embora considere que seu trabalho mais significativo tenha sido feito aqui, onde há mais de 30 anos fundou a Vinícola Geisse. Recentemente sua busca por ampliar fronteiras o levou a produzir um champanhe Premier Cru - feito a quatro mãos com Phillipe Dumont, em Chigny-les-Roses, na França. É uma edição limitada de só 1,5 mil garrafas. Chega ao mercado nos próximos dias, a R$ 260.


"Foi mais um capricho, uma curtição, um intercâmbio de opiniões no mundo das borbulhas. Não deve ser olhado como negócio", diz ele, com seu portunhol lapidado ao longo do tempo. No ano que vem, quem sabe, a produção será um pouco maior. Não muito. Para Mario, os quatro anos de trabalho foram uma espécie de terapia e uma oportunidade para que ele conhecesse de perto uma família com raízes francesas, que está há 300 anos no negócio. Ex atamente o que quer para a sua: a sobrevivência ao longo das gerações.

Engenheiro agrônomo especializado em enologia, Mario Geisse chegou ao Rio Grande do Sul, em 1976, para dirigir a Chandon Brasil, em Garibaldi. Iria ficar só dois anos. "Mas me enamorei da região, que acho extraordinariamente bela", argumenta, para justificar a compra de terras, logo em 1978, onde se impôs o desafio de ser o "melhor produtor de uvas da região", ainda sem pensar na v inícola. A empresa viria logo depois, primeiro como uma produção pessoal e depois como negócio.

Com um pedaço de solo nas mãos, que acaba de arrancar de uma encosta no fundo da casa, Mario mostra a particularidade do terreno - uma terra cortada em fatias, cheia de fissuras. "Veja o grau de temporalização
deste basalto. Olha como a rocha está degradada: dá pra quebrar com as mãos. Isto é o que dá personalidade ao espumante." A explicação deixa entrever que ele se considera mais viticultor do que enólogo. "Não sou melhor, sou diferente. Não faço blend da Serra Gaúcha, mas blend do terroir", completa, sem modéstia.


Não ter paradigmas definidos e buscar novas fronteiras para produtos especiais é parte de sua filosofia de trabalho. Por isso, comprou esses 76 hectares de área agrícola, dos quais apenas 22 são ocupados pelos vinhedos da Cave Geisse. Ali, 60% são uvas chardonnay e 40% pinot noir, plantadas em espaldeira. Em outubro a vinícola fará seu primeiro blanc des blancs: um 100% chardonnay . E também o primeiro blanc des noirs, 100% pinot. Eles custarão R$80 a garrafa. Até o final de 2012, entre todos os rótulos, a empresa atingirá a marca de 190 mil garrafas ao ano, mantendo ainda uma demanda reprimida.

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