Filho de espanhóis, Dario Taibo transformou o gosto por
vinhos, adquirido nos anos em que viveu na Espanha, em um negócio que fatura
atualmente R$ 1,5 milhão por mês. Em 2002, ele fundou o Sociedade da Mesa, um
dos maiores clubes brasileiros da bebida, com 10 mil associados que recebem
mensalmente entre 4 e 6 vinhos de diferentes origens com preços até 50% menores
do que os praticados nas lojas.
O modelo de negócio, ainda pouco difundido no País, mas
muito comum na Europa, tem grande apelo entre os consumidores e ganhou espaço
no mercado brasileiro com o crescimento da economia, que aumenta o interesse do
consumidor por produtos e serviços sofisticados.
A segmentação e o fato do consumo de vinho estar se
popularizando no País colaboram para o sucesso do negócio de Dario. Tanto isso
é verdade que já surgiram pelo menos outros cinco clubes com o mesmo formato, e
versões dele com a oferta de cervejas e até cosméticos.
"O brasileiro adora uma novidade e, a partir do
momento que tem dinheiro para gastar, eleva seu nível de exigência e passa a
consumir produtos e serviços mais sofisticados", diz o consultor do
Sebrae-SP, Marcelo Sinelli. "A ideia de ter acesso a um grupo de pessoas
com gostos parecidos com o seu atrai o consumidor, sendo esse um modelo de
negócio com potencial para crescer", afirma o especialista.
Para ingressar na Sociedade da Mesa, o interessado deve
cadastrar-se e adquirir a primeira seleção de quatro ou seis vinhos do mês. A
partir daí, passa a receber um boletim mensal que contém informações sobre os
vinhos que serão entregues no próximo mês. Se não tiver interesse, o cliente
pode suspender o recebimento sem pagar nada.
Caso não se manifeste, receberá em casa a seleção do mês
e terá o valor debitado da sua conta ou cartão de crédito - o valor máximo por
garrafa varia, mas segundo Taibo, o preço médio máximo é de R$ 39. "Cada
garrafa chega a custar R$ 70 no mercado e algumas marcas não são encontradas
facilmente no Brasil", garante. Existe ainda uma seleção trimestral de
vinhos mais caros - custam em torno de R$ 90.
A empresa administrada hoje com sucesso por Taibo surgiu
por acaso. Interessado em vinhos mais sofisticados e com preços bons, o
empresário começou a importar caixas fechadas de vinho. As aquisições chamaram
a atenção de amigos, que então passaram a pedir que o empreendedor comprasse
quantidades maiores do produto para que eles pudessem abastecer suas adegas
particulares.
Com o aumento das encomendas, foi necessário abrir uma
distribuidora e emitir boletos bancários para os pagamentos. "Como pessoa
jurídica, conseguia comprar os vinhos por preços ainda mais baixos",
lembra.
Por sugestão de um amigo, Taibo criou também uma revista
mensal - enviada gratuitamente até hoje junto com cada seleção - e que contém
reportagens com detalhes sobre os vinhos do mês e curiosidades sobre o mercado.
O conhecimento do empresário sobre o assunto chamou a
atenção de Massimo Galimberti, presidente do clube espanhol Vinoselección, um
dos mais antigos e tradicionais do mundo, que pretendia trazer o modelo para o
Brasil, depois de levar o formato para países como o Canadá, Uruguai, Alemanha
e Inglaterra. Em 2004, a Vinoselección se tornou acionista da empresa, o que
resultou no aprimoramento do modelo de negócios.
Credibilidade
Com o crescimento do Sociedade da Mesa, Taibo deixou de
comprar as garrafas das distribuidoras e a fazer, ele mesmo, a importação -
cerca de 40 mil garrafas por mês. Também ganhou credibilidade, já que a escolha
dos rótulos é feita em conjunto com uma mesa técnica composta por
representantes dos clubes de outros países. Já fizeram parte da seleção mensal
vinhos de países como Argentina, Uruguai, França e Grécia.
"Nosso principal cuidado é para nunca subestimar o
cliente e a capacidade dos associados conhecerem o produto que compram. Já vi
clubes fecharem por oferecerem produtos com qualidade inferior ao preço
cobrado", conclui Taibo.
Fonte: http://pme.estadao.com.br/noticias/noticias,antigo-hobby-rende-r-1-5-milhao-por-mes-a-empreendedor-de-sao-paulo,940,0.htm
