sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Os vinhos que todo enófilo gostaria de beber e colecionar: Espanha e Portugal (Revista Adega)

 
Os grandes vinhos da Península Ibérica

Se houvesse disponibilidade de garrafas e, principalmente, de recursos financeiros, todos os enófilos mais aficionados e grandes colecionadores adorariam ter em sua adega pessoal os maiores ícones da vitivinicultura mundial. Sendo assim, o editor Luiz Gastão Bolonhez, da revista Adega, elaborou uma lista irretocável que explica por quê estes são os vinhos realmente colecionáveis, ou seja, que podem ser adegados por longo tempo e, habitualmente, tornarem-se ainda melhores.

Nesta 5ª parte, deixamos para trás os grandes vinhos da França e Itália, e entramos na Península Ibérica (Espanha e Portugal), terra dos majestosos Vega Sicília (Espanha) e dos Portos Vintage (Portugal) entre outros. Conheça aqueles que você não deve perder a chance de degustar:

Espanha

Vega Sicilia
Essa propriedade produz os melhores tintos espanhóis. A propriedade faz três grandes vinhos: o Vega Sicilia Único, o Vega Sicilia Valbuena 5º año e o não safrado Vega Sicilia Reserva Especial. São tintos que têm a uva Tinta del Pais (nome da Tempranillo em Ribera del Duero) como espinha dorsal. O Único, de certa forma, pode ser comparado com o Petrus, pois ambos talvez sejam os dois mais longevos vinhos disponíveis no mundo. Eles não só resistem ao tempo, mas, com o passar dos anos, melhoram de maneira impressionante.

Dos diversos Vega Sicilia provados, alguns são inesquecíveis. Os mais esplendorosos são os Único 1970, 1974, 1981, 1990, 1994, 1996 e 2000. Todos excepcionais e com longevidade impressionante. O 1970, degustado em 2005, estava íntegro e com estrutura para durar por mais alguns bons anos. O 1981, degustado em 2011, com 30 anos, estava sensacional e cheio de vida. Prontíssimo para ser apreciado. O 1990 é de uma robustez impressionante. Um dos mais marcantes. Os Vega Único 1994 e 1996 são fenomenais, com vantagem para o 1996, que é sublime, rico, profundo e inebriante. Os dois foram superados pelo 2000, degustado em 2010, um tinto quase perfeito.

Outros colecionáveis espanhóis

Bodegas Hermanos Sastre Pesus
Também de Ribera del Duero, tem alcançado preços estratosféricos e já virou um grande objetivo dos colecionadores. Sem dúvida, um vinho extraordinário, de solidez incrível, para até 50 anos de guarda. 2005 e 2006 estão entre os mais densos e profundos tintos já provados. Ambos fora de série. É o único tinto que espanhol que pode rivalizar com o vizinho da Ribera del Duero, o Vega Sicilia Único, e com o riojano Roda Cirsion. É mais potente que os dois rivais.

Pingus
Um Tinta del Pais puro produzido pelo badalado Peter Sisseck. Esse tinto é hoje o mais caro dentre os espanhóis. Raríssimo. O 2003 é impressionante.

Abadia Retuerta Pago Garduña Syrah
O mais expressivo Syrah espanhol. Profundo, rico, repleto de personalidade e com um estrutura impressionante. Tente achar o 2004.

Bodegas Roda Cirsion
Um Tempranillo puro "inventado" pelo enólogo Agustin Santollá. Produzido a partir de uvas colhidas uma a uma com os caroços atingindo a polimerização. Concentradíssimo, um dos grandes ícones da nova vitivinicultura espanhola. O 1999 é inesquecível e o melhor de sempre. Um néctar.

Portugal

Quinta do Noval Nacional
O Porto Noval Nacional 1963 é vendido hoje, em Lisboa, por mais de 5 mil euros a garrafa. O Nacional 1931 é o maior de todos os tempos e seu valor hoje é incalculável, pois existem pouquíssimas garrafas disponíveis no mercado. Tanto o Nacional 1931 quanto o 1963 são muito disputados nos leilões. Dos mais recentes, o sucessor da dupla 1931 e 1963 é o 1994.

Taylor's
É a casa, ao lado da Graham's e Dow's, que produz os melhores Porto Vintage de todos. É difícil encontrar um que não seja superlativo. O 1963 está tecnicamente no mesmo nível do Noval Nacional. Depois desse primor, a casa lançou obras-primas como os 1977, 1992, 1994, 1997, 2000, 2003 e 2007. Todos absolutamente espetaculares e com estrutura para evoluir por 100 anos. Recentemente degustamos o Vintage 1960. Delicioso, rico, elegante e fino. A casa Taylor's produz um Porto Vintage "single Quinta" chamado Quinta das Vargellas. Tente achar uma garrafa do 2004.

Graham's
Casa principal da família Symington. Vinhos do Porto de primeira gama. Os mais colecionáveis são o 1994 e o 2007, sendo este último o melhor da casa nos últimos 15 anos. Como a Taylor's, ela também tem um "Single Quinta", a Quinta de Malvedos. Em 1996, a casa produziu um Malvedos absolutamente fantástico.

Outros colecionáveis portugueses

Quinta do Crasto Maria Teresa
O mais sensual tinto português. Só engarrafado em safras excelentes. Os anos ímpares foram os destaques desse novo milênio: 2003, 2005 e 2007. Todos impecáveis.

Quinta do Crasto Vinha da Ponte
O mais clássico e complexo dos vinhos do Douro. O 2000 foi o mais impactante tinto de Portugal já degustado. Raríssimo. Os mais recentes 2004 e 2007 não ficam longe de seu irmão mais velho, o fabuloso 2000. O 2007 é candidato a ser o melhor tinto português da história.

Quinta do Vale Meão
A joia do tataraneto de Adelaide Ferreira (a Ferreirinha), Francisco Olazabal. Sua primeira safra foi 1999. Grande vinho. Uma estrela que nasceu em Portugal. Dos subsequentes, tivemos os extraordinários 2003, 2004, 2008 e 2009.

Quinta do Vallado Adelaide
Vinho produzido a partir de vinhas velhas. Até hoje só foram lançados dois. Por sinal, duas delícias, 2005 e 2007. Duas garrafas para se ter na adega. Longo potencial de guarda.

Wine e Soul Pintas
Projeto idealizado no Douro pelos competentes enólogos Jorge Seródio Borges e Sandra Tavares. Vinhos impecáveis, artesanais. O Pintas 2003 é inesquecível pela força e suculência. O Pintas 2009 é um primor.

Quinta do Vallado Reserva Field Blend
Esse vinho é o antigo Vallado Reserva, que recebeu esse nome com a safra 2007. O vinho que mudou o destino dessa Quinta. Sensacional. Além dos Vallado Adelaide e Fiel Blend, a Quinta produz um especialíssimo Touriga Nacional puro, que foi grandioso com as safras 2007 e 2008.

Lemos e Van Zeller Curriculum Vitae
Esse é o top de linha produzido na Quinta Vale do D. Maria, do simpático e competente Cristiano Van Zeller. Todos os Curriculum Vitae produzidos desde 2003 são excelentes. Os melhores são 2004, 2005, 2007 e 2008.

Quinta do Vale D. Maria
Talvez um dos mais clássicos vinhos do Douro. Prima pela elegância. Cristiano Van Zeller, em 2001, produziu uma joia. Além dele, 2003 e 2004 também foram muito especiais.

Niepoort Batuta
O mais emblemático tinto do grande Dirk Niepoort. Profundo, denso, encorpado e rico. O 2004 é um monstro no que diz respeito à potência.

Niepoort Charme
Esse tinto é o oposto do Batuta. Dirk decidiu vinificar as uvas com engaços e com pouco de maceração. A inspiração era fazer - com uvas provenientes de vinhas velhas do Douro -um vinho mais para o elegante, para o estilo Borgonha. Ele conseguiu produzir um vinho mais elegante, que faz jus ao nome. É "cheio de charme". Os Charme 2004, 2005 e 2007 são deliciosos e com excelente estrutura para evoluir em garrafa. Surpreendente.