segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Os vinhos que todo enófilo gostaria de beber e colecionar: Itália (Revista Adega)


Se houvesse disponibilidade de garrafas e, principalmente, de recursos financeiros, todos os enófilos mais aficionados e grandes colecionadores adorariam ter em sua adega pessoal os maiores ícones da vitivinicultura mundial. Sendo assim, o editor Luiz Gastão Bolonhez, da revista Adega, elaborou uma lista irretocável que explica por quê estes são os vinhos realmente colecionáveis, ou seja, que podem ser adegados por longo tempo e, habitualmente, tornarem-se ainda melhores.

Nesta 4ª parte, deixamos os míticos vinhos da França e entramos na Itália, terra dos grandes Barolos, Amarones, Brunellos, Supertoscanos e de produtores renomados como Angelo Gaja, Guiseppe Quintarelli e Gianfranco Soldera. Conheça aqueles que você não deve perder a chance de degustar:

Vertical do supertoscano Sassicaia

Sassicaia
A Tenuta San Guido, que produz o Sassicaia, na costa da Toscana, foi quem começou a colocar os vinhos italianos em destaque, no início da década de 1970. O primeiro Sassicaia lançado comercialmente foi o 1968. Esse tinto é produzido predominantemente com Cabernet Sauvignon seguido de porcentagens pequenas de Cabernet Franc. Dos Sassicaia, temos o célebre 1985, o vinho mais caro italiano no mercado hoje. Raríssimo e disputadíssimo em leilões. Depois desse ícone, tivemos como destaque 1995, 1997, 1998 e 1999. Depois de alguns anos fora dos holofotes, a Tenuta San Guido voltou a produzir grandes tintos. Com a safra 2004, o sucesso voltou a brilhar. O 2008 é fabuloso e está no mesmo nível dos mais especiais Sassicaia da história.

Gaja
O piemontês Angelo Gaja é o homem que tornou o vinho italiano famoso. Ele faz uma série de vinhos, mas são os single vineyards (todos Nebbiolo com um toque de Barbera) Sorí Tildin, Sorí San Lorenzo, Costa Russi e Sperss, que alcançam as maiores pontuações em todas as publicações. Esses quatro vinhos são excepcionais e com um potencial de guarda (que pode ultrapassar 50 anos).

Gaja Sorí Tildin
O 1982 é um dos mais potentes e firmes Nebbiolo já degustados. Foi provado em 2008 e ainda estava jovem. Um vinho secular, excepcional, inesquecível. Além dele, destaque para 1996, 1997 e 1998. Vale ressaltar que, nos últimos anos, com exceção de 2002, todos os Sorí Tildin estão de excelentes à excepcionais.

Gaja Sorí San Lorenzo
De todos os San Lorenzo degustados, o mais espetacular foi o 1990. Um tinto delicioso, profundo e muito complexo. Tem ainda muita vida pela frente. O 1999 também é espetacular. O comentário sobre o Sorí Tildin vale integralmente para seu irmão Sorí San Lorenzo. Todos são excepcionais, com exceção do 2002, que também não foi engarrafado.

Gaja Costa Russi
Talvez o mais surpreendente tinto de Angelo Gaja já provado foi o Costa Russi 1988. Em 2007, com inúmeros Barolo e Barbaresco de extrema categoria à mesa, esse tinto foi o campeão unânime. Um vinho potente, rico e repleto de elegância. O melhor Costa Russi de todos, que teve recentemente uma sombra, o 2001.

Gaja Sperss
Sperss é o nome de um vinhedo da região de Barolo que produz talvez um dos mais profundos vinhos do Piemonte. As safras 1989 e 1990 foram fabulosas. São vinhos que ainda estão em pleno desenvolvimento e têm muita vida pela frente. O 1989, degustado no ano passado, estava absolutamente sensacional. Além dele, degustamos os Sperss 2001 e o 2005. Verdadeiros diamantes. Neste ano, o Sperss 2007 foi o grande destaque entre 50 vinhos em uma degustação organizada pelo Gambero Rosso. Uma potência de vinho com 40 anos de vida pela frente.

Garrafas magnuns dos cobiçados e caros Barolos de Roberto Voerzio 

Roberto Voerzio
Três de seus vinhos são singulares: Barolo Rocche dell'Annunziata Torriglione, Barolo Brunate e Barolo Cerequio. Nas safras 1999 e 2001, Voerzio produziu tintos de imensa qualidade. Os vinhos de Voerzio são os únicos que rivalizam em glamour e preço com os de Gaja. São extremamente profundos. Eles engarrafam algumas preciosidades, somente em Magnum. São vinhos muito caros e raros, com isso, de mais difícil acesso. Dos degustados, os destaques vão para o Cerequio 1999 e Brunate 2001 em garrafa normal. Além desses dois monumentais tintos, recentemente degustamos, em Magnum, talvez o mais espetacular Barolo da excepcional safra 2000, o Barolo "Vecchie Vite dei Capalot e delle Brunate". Um tinto de extrema qualidade, profundidade e longevidade. Absolutamente espetacular e com estrutura para evoluir por mais 20/25 anos.

Os belíssimos rótulos da Vietti
Vietti
Alfredo Curado, na década de 1960, foi quem introduziu na região de Barolo e Barbaresco o conceito dos "crus" (Single Vineyard). Em novembro do ano passado coordenamos uma horizontal de Barolo 2001. O campeão foi o Barolo Villero 2001 da Vietti. À mesa estavam os colecionáveis: Domenico Clerico Barolo Per Cristina (um primor de vinho), La Spinetta Barolo Vursù e Bruno Giacosa Barolo le Rocche del Falletto. E o melhor ainda é que repetimos a degustação, incluindo mais vinhos e o Villero 2001 ganhou de novo, dessa vez com Barolo Monfortino 2001 de Giacomo Conterno ao lado. O Vietti Barolo Villero é um dos mais expressivos resultados obtidos pela casta Nebbiolo dos últimos tempos.

Gianfranco Soldera
Os Brunello di Montalcino Institieti e Brunello di Montalcino Riserva são seus grandes ícones. Se encontrar uma garrafa do Institieti 1995, apanhe-a e guarde pelos próximos 25 anos. Um tinto grandioso, que está entre os melhores Brunello da história. Além dele, Soldera alcançou excelência com seu Brunello 1993 e com seu Riserva 1999.

Outros colecionáveis italianos

Bruno Rocca
Produz alguns Barbaresco que podem rivalizar com os de Gaja. Seu Barbaresco Rabajá é sensacional. Tanto o 2004 quanto o 2005 são fabulosos.

Antinori Solaia
Talvez a maior expressão produzida na Itália a partir de Cabernet Sauvignon. Esse tinto rivaliza com o Sassicaia, muitos vezes superando-o. Sua primeira safra foi 1978. O Solaia 1990 foi fabuloso, superado pelo 1997, talvez o mais especial de todos até hoje. Depois dessa obra de arte, Antinori repetiu o feito produzindo grandes Solaia em 1998, 1999, 2001 e 2004. Após excelentes safras vieram duas preciosidades, que são os Solaia 2006 e 2007. Os dois tiveram melhor performance que o 1997 quando de seu lançamento. Vinhos para serem colecionados e testados nos próximos 20 anos.

Allegrini
Seu Amarone Classico é sempre excepcional. Destaque para as safras 1999, 2001 e 2006.

Fattoria di Felsina Fontalloro
Mais um grande Sangiovese 100%. Produzido mais ao sul da Toscana, em Castelnuovo Berardenga, por Giuseppe Mazzocolin. Excelente em 1997, 1999, 2001 e 2005.

Tua Rita Redigaffi
Um dos melhores Merlot in purezza da Itália. Produzido na costa Toscana, em Suveretto. Reluzente e profundo. As safras de destaque são 2000, 2001, 2006, 2007 e 2008.

Castello di Ama Vigna L'Apparita
O rival direto do Redigaffi. Uma briga cabeça a cabeça para levar o título de melhor Merlot da Itália. Grande 2006 e extraordinário 2007.

Fontodi Flaccianello della Pieve
Grande Sangiovese puro produzido na Toscana central pela família Manetti. Sublime 1997, espetacular 2001 e grandíssimo 2004.

Giuseppe Quintarelli
Produz o Amarone mais espetacular de todos. Não contente somente com seu Amarone, Giuseppe Quintarelli produz o ícone dos ícones da Itália: Alzero, que é feito, quase sempre, em partes iguais de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Esse tinto safra 1996 é fenomenal e sua resistência quase infinita. Seus taninos são de uma solidez incrível. Um vinho que pode evoluir por muitas décadas.