Um caleidoscópio de tons de amarelo
Talvez você já tenha ouvido falar dos vinhos brancos elaborados com a Peverella, uma humilde casta trazida pelos colonos italianos para o sul do Brasil e que, graças a curiosidade e a pesquisa (e a persistência) de dois enólogos brasileiros, os gaúchos Álvaro Escher e Luís Henrique Zanini, se transformou num dos mais peculiares vinhos brancos já produzidos no país, muito elogiados por Ed Motta e Jonathan Nossiter. Mas já os provou? Não? Aqui está a sua oportunidade de saber mais sobre a casta e seus vinhos...
O primeiro deles, o Cave Ouvidor, produzido apenas em 2004 e 2005 (apesar de haver uma versão experimental da safra 2002), foi elaborado em versão "solo" por Álvaro Escher, que utilizando uvas coletadas em Bento Gonçalves e vinificadas em Garopaba, Santa Catarina.
Após estas duas safras iniciais, o projeto evolui, ganha a adesão de Luís Zanini e o rótulo é rebatizado com o nome "Era dos Ventos" e passa a contar com a contribuição de Pedro Hermeto, do restaurante Aprazível (RJ) para a promoção e venda dos vinhos, diga-se de passagem, de pequeníssima produção (entre 500 e 800 garrafas, em média).
Como se pode ver na primeira foto do texto, um privilegiado grupo de enólogos, enófilos e críticos de vinhos, teve a honra de degustar todos os vinhos já feitos com esta casta, alguns sequer lançados, com as amostras vindo diretamente do barril. No total, foram 7 vinhos: os dois Cave Ouvidor (2004 e 2005), quatro Era dos Ventos (2008, 2010, 2011 e 2012, estes dois últimos saídos da barrica) e um sublime e experimental 2002, cuja garrafa teve de vir da "reserva particular" do sogro do produtor, já que ele mesmo não as tinha mais.
Para descrever estes vinhos foi necessário buscar novas fontes e inspirações, já que além de possuírem um colorido muito peculiar e acidez exuberante, exalavam aromas quase indescritíveis: laranja cristalizada, tomilho e cravo (Cave Ouvidor 2004), doce de carambola, mel e cravo (Cave Ouvidor 2005), ervas de provence, frutas secas, defumados (Era dos Ventos 2008), cera de abelha, creme brulée e pimenta branca (Era dos Ventos 2010), ferrugem, cera de abelha e PÓLVORA (que me levou a apelidar o Era dos Ventos 2011 de "Polvorella"), além de aromas citrícos, de ervas finas e cravo no ainda sutil e inacabado Era dos Ventos 2012, suficientes para mostrar seu grande potencial.
Em resumo, vinhos com alma de poeta (veja o contra-rótulo acima), capazes de instigar o mais duro dos apreciadores de vinho.
Diga-se de passagem, o vinho não é barato, custa em torno de 160 reais, mas se você conseguir encontrar uma garrafa, faça o sacrifício de apreciar os "explosivos" aromas e os insólitos aromas que aparentemente, só a Peverella pode proporcionar.
Cave Ouvidor 2005
Os rótulos do Era dos Ventos e Cave Ouvidor
Painel de prova
A poesia do vinho
Meu predileto (e esgotado) Era dos Ventos 2008
Diga-se de passagem, o vinho não é barato, custa em torno de 160 reais, mas se você conseguir encontrar uma garrafa, faça o sacrifício de apreciar os "explosivos" aromas e os insólitos aromas que aparentemente, só a Peverella pode proporcionar.
