terça-feira, 21 de agosto de 2012

Cave Ouvidor e Era dos Ventos: uma vertical inesquecível da exótica e quase extinta Peverella!

Um caleidoscópio de tons de amarelo

Talvez você já tenha ouvido falar dos vinhos brancos elaborados com a Peverella, uma humilde casta trazida pelos colonos italianos para o sul do Brasil e que, graças a curiosidade e a pesquisa (e a persistência) de dois enólogos brasileiros, os gaúchos Álvaro Escher e Luís Henrique Zanini, se transformou num dos mais peculiares vinhos brancos já produzidos  no país, muito elogiados por Ed Motta e Jonathan Nossiter. Mas já os provou? Não? Aqui está a sua oportunidade de saber mais sobre a casta e seus vinhos...

Cave Ouvidor 2005

O primeiro deles, o Cave Ouvidor, produzido apenas em 2004 e 2005 (apesar de haver uma versão experimental da safra 2002), foi elaborado em versão "solo" por Álvaro Escher, que utilizando uvas coletadas em Bento Gonçalves e vinificadas em Garopaba, Santa Catarina.

Os rótulos do Era dos Ventos e Cave Ouvidor

Após estas duas safras iniciais, o projeto evolui, ganha a adesão de Luís Zanini e o rótulo é rebatizado com o nome "Era dos Ventos" e passa a contar com a contribuição de Pedro Hermeto, do restaurante Aprazível (RJ) para a promoção e venda dos vinhos, diga-se de passagem, de pequeníssima produção (entre 500 e 800 garrafas, em média).

Painel de prova

Como se pode ver na primeira foto do texto, um privilegiado grupo de enólogos, enófilos e críticos de vinhos, teve a honra de degustar todos os vinhos já feitos com esta casta, alguns sequer lançados, com as amostras vindo diretamente do barril. No total, foram 7 vinhos: os dois Cave Ouvidor (2004 e 2005), quatro Era dos Ventos (2008, 2010, 2011 e 2012, estes dois últimos saídos da barrica) e um sublime e experimental 2002, cuja garrafa teve de vir da "reserva particular" do sogro do produtor, já que ele mesmo não as tinha mais.

A poesia do vinho

Para descrever estes vinhos foi necessário buscar novas fontes e inspirações, já que além de possuírem um colorido muito peculiar e acidez exuberante, exalavam aromas quase indescritíveis: laranja cristalizada, tomilho e cravo (Cave Ouvidor 2004), doce de carambola, mel e cravo (Cave Ouvidor 2005), ervas de provence, frutas secas, defumados (Era dos Ventos 2008), cera de abelha, creme brulée e pimenta branca (Era dos Ventos 2010), ferrugem, cera de abelha e PÓLVORA (que me levou a apelidar o Era dos Ventos 2011 de "Polvorella"), além de aromas citrícos, de ervas finas e cravo no ainda sutil e inacabado Era dos Ventos 2012, suficientes para mostrar seu grande potencial.

Meu predileto (e esgotado) Era dos Ventos 2008

Em resumo, vinhos com alma de poeta (veja o contra-rótulo acima), capazes de instigar o mais duro dos apreciadores de vinho.
Diga-se de passagem, o vinho não é barato, custa em torno de 160 reais, mas se você conseguir encontrar uma garrafa, faça o sacrifício de apreciar os "explosivos" aromas e os insólitos aromas que aparentemente, só a Peverella pode proporcionar.