As rolhas dos 5 magníficos Sauvignon Blancs de Didier Dagueneau
Se você é um apreciador de vinhos brancos e ainda não degustou pelo menos um dos vinhos de Didier Dagueneau, precisa colocá-los em sua lista de prioridades. Caso não dê muita atenção aos vinhos brancos, certamente irá "rever seus conceitos" ao prová-los.
Neste fim de semana, reunido com os membros de minha confraria, tive a grata oportunidade de apresentar e degustar 6 de seus maravilhosos vinhos (5 brancos do Loire e 1 branco de sobremesa do Jurançon): Pur Sang 2008, Le Mont Damné 2007 e 2008, Silex 2007, Buisson Renard 2007 (todos eles Sauvignon Blanc) e o raro Les Jardines de Babylone 2007, feito com a casta Petit Manseng.
Como havia mencionado no post anterior, Didier Dagueneau, o mais cultuado produtor da
região francesa do Vale do Loire, faleceu precocemente num acidente de avião em 2008, poucas semanas antes da colheita daquele ano. Mas sua herança, os Sancerres,
Poully-Fumés e um Jurançon de sobremesa, sobreviveram à ele, continuando a nos maravilhar e
figurar no seleto grupo dos melhores (e caros) vinhos brancos do mundo.
Impressões de degustação:
Começamos pelo Pur Sang 2008, um Pouilly-Fumé cheio de elegância, com aroma delicados de frutas cítricas e expressiva mineralidade. Na boca, exibiu incrível acidez e mais uma vez, uma pureza "mineral" e um toque salgado, que o destaca entre os demais vinhos que já provei da região. Nota: 92 pontos (Casa Flora, R$490,00).
Na sequência, provamos o Le Mont Damné 2008, um Sancerre radicalmente diferente do vinho anterior, repleto de aromas de pêssego, damasco e flores brancas. Na boca, mostrou-se muito sedoso, sem que isso escondesse sua ótima acidez, e com uma untuosidade impressionante. Um dos melhores do painel. Nota: 94 pontos (Casa Flora, R$590,00).
O terceiro vinho foi o Le Mont Damné 2007, o último feito por Didier Dagueneau, e que demonstrou com clareza as diferenças que uma safra pode causar num vinho. Neste ano, o vinho mostrou-se muito diverso do 2008, a untuosidade praticamente não existia, mas foi compensada por uma maior expressão mineral e um exótico sabor frutado (pêras e pêssegos). Na boca, exibiu um conjunto mais "tradicional" e similar aos demais Sancerres, com ótima acidez e um delicioso sabor cítrico. Nota: 92 pontos (Casa Flora, R$490,00).
O próximo da série foi o mais conhecido de seus vinhos, o Silex 2007, provavelmente o maior de todos os Pouilly-Fumés, um vinho cujos aromas multidimensionais impressionam logo no primeiro contato: ervas, flores, frutas brancas e o indescritível traço mineral de silex (daí seu nome), a pedra que domina o solo da região. O "grand cru" dos Dagueneau é a perfeita expressão de um vinho de terroir, cujas características parecem ser impossíveis de reproduzir. Magnífico! Nota: 95 pontos (Casa Flora, R$620,00).
O último dos Sauvignon Blancs foi o Buisson Renard 2007, outro "cru " dos Dagueneau, rico em aromas de frutas tropicais (mais parecido com os SB's da Nova Zelândia) sem que isso diminua sua expressão mineral. Na boca, trouxe um pouco daquela untuosidade que me encantou no Le Mont Damné 2008, levando-me a considerá-lo o vinho mais "completo" de todos. Nota: 96 pontos (Casa Flora, R$520,00).
Em resumo, se há uma referência a seguir e admirar em termos de Sauvignon Blanc, ela passa seguramente pelos vinhos do "bruxo" Didier Dagueneau. Ao que parece, ele ensinou direitinho os "feitiços" para seu filho Louis Benjamin.
O sexto vinho, o Les Jardins de Babylone, feito com a casta Petit Manseng no Jurançon, em parceria com Guy Pautrat, será tema de um post exclusivo, escrito a seguir.