terça-feira, 10 de julho de 2012

Direto da Taça: De Martino Viejas Tinajas Cinsault 2011, antigas tradições que se revelam muito modernas!

De Martino Viejas Tinajas Cinsault 2011

Este vinho foi a grande sensação do guia Descorchados 2012 na categoria "Otras Cepas Tintas", elaborado apenas com a vinhas velhas de Cinsault, uma varietal bastante encontrada no sul da França (principalmente nas regiões do Languedoc-Roussillon e Rhône) e vinificadas pelo enólogo Marcelo Retamal de uma maneira muito especial: em centenárias ânforas de barro, seguindo a quase esquecida tradição local do vale de Itata, no sul do Chile.

As velhas ânforas de barro usadas para fermentar o vinho

Na atualidade, temos outros exemplares de vinhos que são muito bem sucedidos no uso de ânforas de barro em sua produção, com destaque para os raros brancos friulianos de Josko Gravner, feito com a casta Ribolla Gialla e o tinto alentejano José de Sousa Mayor. 

Impressões de degustação:
Confesso que estava com o "pé atrás" para abrir este vinho tão jovem, mas a precocidade da Cinsault e o método de vinificação me convenceram (além da inegável curiosidade). Servido na taça, exibiu uma bela cor púrpura muito brilhante e profunda. No olfato, exibiu uma incrível pureza de aromas de frutas vermelhas maduras mescladas com notas minerais e herbáceas, típicas de um vinho na juventude. No palato, o fino equilíbrio do sabor frutado com acidez intensa e taninos medianos, revelou um caldo delicioso de beber, cheio de juventude e frescor, sem que isso signifique um vinho sem pretensões, pelo contrário, exibiu um caráter único e marcante. Certamente não é um vinho para longa guarda, mas que pode ser bebido já, oferecendo ao degustador toda a sua sutil complexidade. Nota: 91 pontos (Decanter, R$135,00).