sábado, 14 de abril de 2012

Nem caipirinha, nem cerveja, a batalha no Brasil é pelo vinho! (BBC)


A edição eletrônica da BBC Mundo (publicada em espanhol) traz um interessante olhar sobre as salvaguardas propostas para o vinho brasileiro. O objetivo principal do texto é tornar inteligível para seu público (majoritariamente europeu), as razões que levaram os produtores brasileiros a fazer tal reinvidicação.
Leia a seguir, uma tradução adaptado do texto (para ler na íntegra, em espanhol, clique no link abaixo):

Em termos alcoólicos, o Brasil é conhecido por sua caipirinha, feita de cachaça, e pela cerveja, que enche as ruas a cada carnaval, mas começou no país uma batalha por uma bebida menos associada com a sua cultura: o vinho.
A disputa começou depois que o governo brasileiro abriu uma investigação para implementar salvaguardas para proteger a indústria nacional de vinho a crescente concorrência dos vinhos importados.
Essa decisão causou preocupação nos países exportadores, e gerou um boicote de lojas e restaurantes no Rio de Janeiro e São Paulo que promovem os vinhos nacionais devido a essa medida protecionista.
"Ele algo violento, que eu faço com tristeza", disse Pedro Hermeto, sócio do restaurante carioca Aprazivel, que removeu 14 dos 70 rótulos brasileiros de sua carta, cuja reputação é a de ser uma das mais diversificadas do país.

"Questão de Sobrevivência"
Quase todos os vinhos produzidos no Brasil vem do estado do Rio Grande do Sul, que faz fronteira com Argentina e Uruguai.
Embora sejam geralmente considerados de qualidade inferior as importados, os vinhos brasileiros (especialmente de vinícolas que produzem Cabernet Sauvignon, Tannat, Merlot e espumantes) evoluíram muito nos últimos tempos, dizem os especialistas.
No ano passado, 21% de todos os vinhos vendidos no Brasil eram nacionais, um aumento de 7% em relação ao ano anterior.
Carlos Paviani, diretor-executivo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), disse no entanto, que a tendência entre 2006 e 2011 era de "estagnação" nas vendas de vinhos nacionais, embora o mercado local tenha aumentado 35%.
"Se este ritmo se mantiver, em menos de 15 anos a produção brasileira de vinhos finos vai desaparecer", disse Paviani. "É uma questão de sobrevivência."

Um salto global
A Ibravin é uma das entidades que no ano passado entraram com o pedido de salvaguardas no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), para reorganizar o setor por um período de três anos.
O ministério anunciou formalmente em 15 de março que viu razões suficientes para iniciar uma investigação e, se o pedido for aceito, poderia levar a uma imposição de cotas ou tarifas adicionais sobre as importações de vinho no Brasil.
Paviani disse que o mercado brasileiro é visto um interesse crescente por produtores em todo o mundo, devido ao aumento do consumo no país, juntamente com desenvolvimento econômico recente que colocou o país como sexta economia mundial.

Os maiores exportadores de vinho para o Brasil são, em ordem de volume, Chile, Argentina, Itália, Portugal, França e Espanha, e uma salvaguarda deve afetar principalmente os produtos de fora do Mercosul. A Comissão Europeia transmitiu formalmente ao Brasil "grande preocupação" com as medidas previstas e o Chile indicou que vai preparar argumentos para se defender perante as autoridades do país vizinho.
A luta poderá chegar à Organização Mundial do Comércio.


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