segunda-feira, 9 de abril de 2012

Muito além do ABC (Amarone, Barolo e Chianti), 10 terroirs italianos que você deveria experimentar! 1ª parte: Carema

A minúscula vila de Carema, no extremo norte do Piemonte

Não é por acaso que a Itália é chamada de Enótria, a terra do vinho! O país abriga um imenso e diversificado patrimônio de castas, microclimas e métodos de elaboração de vinhos que vão muito além de seu trio de maior renome internacional: (A)marone, (B)arolo e (C)hianti, oriundos das três principais zonas do país: Veneto, Piemonte e Toscana, mas pouquíssimo difundidos fora de suas áreas de produção.
Ciente de tamanho "ostracismo", Richard Baudains, um dos coordenadores da seção italiana do Decanter World Wine Awards, selecionou 10 destes terrois pouco conhecidos, raros de se encontrar ou até mesmo menosprezados, que são verdadeiros tesouros da vitivinicultura italiana.

Em 10 post diários vou apresentá-los para que você os descubra, reconheça ou afaste quaisquer preconceitos:

Carema DOC (Piemonte)
Carema é um verdadeiro vinho "Panda", pois apenas duas vinícolas (sendo uma delas uma cooperativa) o elaboram em pequena e limitada escala, em propriedades fragmentadas (17 ha) dividas entre 78 produtores. Para piorar, o crescimento demográfico nesta região localizada no sopé dos alpes piemonteses é praticamente nulo, e sem a mão de obra intensiva necessária para cuidar de vinhedos cultivados em terraços, a chance de extinção é bastante real.

A DOC Carema está situada na região mais extrema (ao norte) onde se produzem vinhos baseados na Nebbiolo. Vinhos de caráter fascinante e complexo, com seus aromas de frutas vermelhas delicadas e suave toque floral completadas por intensa mineralidade. Se o seu modelo de vinho piemontês for o do Barolo moderno, será preciso encarar uma grande mudança para degustá-lo com prazer. Você vai encontrar um vinho leve, muito seco, refinado e com alto nível de acidez. O vinho dos sonhos para os verdadeiros fãs dos raçudos e clássicos vinhos elaborados com a Nebbiolo.

*Duvido muito que alguém venda algum destes vinhos no Brasil (se alguém souber, me avise!). A única vez que já tinha lido sobre eles, foi no livro de Neal Rosenthal chamado Vinhos de Butique: Artesanais, Raros e Tradicionais (recomendo a leitura), onde ele descreve o encanto que foi descobrí-los pela primeira vez 30 anos atrás.

Fonte: inspirado e adaptado da edição de abril de 2012 da Decanter
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