segunda-feira, 25 de julho de 2011

Direto da Taça: Barolos Corino 1995, dois "irmãos" se reencontram 16 anos depois...

Recentemente resolvi levar um Barolo Corino Vigneto Rocche 1995 para a casa de montanha de um amigo, pois nesta época do ano a temperatura interna (ao redor dos 16°C) é perfeita para degustar um Barolo maduro.
Chegando lá, meu anfitrião disse: "acho que também tenho esse vinho na adega"! Que azar, pensei! Levei logo um vinho que ele já tinha...
Mas as surpresas com o vinho não cansam de acontecer. Ele realmente tinha um Barolo Corino 1995, mas era o Vigneto Arborina, "irmão" do que eu tinha levado. O que parecia frustração virou um encontro de dois irmãos afastados por 16 anos...
Aliás, antes de mencionar as impressões de degustação, gostaria de contar um pouco sobre a separação que ocorreu com os dois irmãos "de verdade" que produzem estes vinhos: Renato e Giuliano Corino.
Em 2006, a Azienda Giovanni Corino, por longos anos, uma das vinícolas mais respeitadas do Piemonte, localizada na aldeia de Annunziata (a 5 minutos de La Morra), foi dividida em duas propriedades pelos irmãos Renato e Giuliano Corino.  Seus 35 hectares de vinhedos continham metade de sua área plantada com Nebbiolo (para a produção de Barolo) e a outra metade com uma mistura de Barbera e Dolcetto.
A divisão foi feita com dois objetivos em mente: deixar cada irmão trabalhando com vinhedos localizados mais próximos de suas respectivas adegas e para criar uma pequena "confusão" no mercado.
Segundo os irmãos, o pai deles, temeroso de brigas entre os irmãos, sempre dizia: "Quando eu morrer, façam duas adegas!". Demorou 20 anos, mas finalmente, eles seguiram o conselho do pai...
Agora não existem mais Barolos Giovanni Corino, apenas Barolos Renato Corino e Giuliano Corino, cada qual com seus "vignetos" próprios.

Impressões de degustação:
Ambos estavam com um belíssima coloração vermelho atijolada e com reflexos marrons. Após breve decantação, liberaram aromas intensos de terra úmida, defumados e couro, seguidos de notas de cravo e funghi. Na boca, a riqueza dos taninos bem afinados era mais evidente no Rocche que no Arborina, mas ambos tinham ótima qualidade. A acidez estava muito bem balanceada em ambos, trazendo bastante frescor ao paladar. O conjunto dos vinhos estava bem similar, com algum destaque no fim de boca para o Rocche, deixando-os indiscutivelmente deliciosos, mas com características próprias. Nota: 91 pontos (Arborina) e 92 pontos (Rocche).