O vinho é um dos poucos alimentos que poderá ser consumido muitos anos após a sua fabricação. Porém, este néctar encontra-se em constante alteração, pelo que o momento exato de abrir uma garrafa é incerto. Nas degustações verticais poder-se-á, então, verificar a variação de temperaturas de um ano para o outro, o efeito do envelhecimento em cada garrafa, o índice pluviométrico, no caso de anos que há maior incidência de chuvas ou até mesmo de um ano chuvoso ou com seca acentuada no momento da colheita das uvas. Todas estas variantes ficam, deste modo, evidentes numa degustação vertical.
Sob o comando do enólogo australiano Peter Bright e, posteriormente pelas exímias mãos de Filipa Tomáz da Costa, contando com o mestre auxílio de Vasco Garcia, nasceu um vinho que desde os seus primórdios se afirmou como uma das grandes referências lusitanas, o Quinta da Bacalhôa. De fato, poucas colheitas após a sua estréia, este magnífico vinho, constituído não pela tradicional Castelão, mas predominantemente por Cabernet Sauvignon e amaciado com cerca de 10% de Merlot, já se afirmava como sendo um ícone dos vinhos portugueses, capaz de elevar a então JP Vinhos ao topo da fama.
Foi, assim, o Quinta da Bacalhôa que esteve à prova numa degustação vertical, que juntou as suas imemoriáveis 29 safras, partindo-se da colheita inicial de 1979 até à safra de 2008. Uma fascinante degustação que atravessou três décadas do que melhor se sabe fazer em Portugal.
Dentre todas as colheitas analisadas, o que mais se destacou foi o da safra de 1987, que obteve 18 pontos. Mesmo após 23 anos de guarda, mostrou uma enorme jovialidade, ressaltada pelas intensas notas frutadas, viva estrutura de taninos aveludados e pela sua acidez refrescante. Na verdade, estas características ímpares são fruto das melhores técnicas vitícolas e enológicas e, sobretudo, das condições edafo-climáticas da região verificadas neste fantástico ano de colheita.
De fato, toda esta região da Península de Setubal apresenta uma variação por vezes acentuada de temperatura, devido à proximidade ao litoral atlântico e à irregularidade da linha da costa, que chega a penetrar profundamente no oceano, originando por vezes safras excepcionais, como é o caso. Todavia, e embora todas as outras restantes colheitas mostrassem a elegância deste excelente vinho, considerado como um dos grandes ícones lusos, as safras de 1980, 1985, 1989, 1990 e 1994, também merecem grande destaque, obtendo uma classificação de 17,5 pontos. Vinhos complexos, sólidos e de uma irrepreensível coerência, que realçam os distintos períodos de existência de um ícone nacional, sem austeras flutuações de qualidade. Vinhos que demonstram os imensos atributos, de consistência e solidez da Quinta da Bacalhôa!
Fonte: http://www.winetag.com.br/

