quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Carreiras: Dá para viver fazendo vinho?

A tradição de cultivo de vinho, antes passada de pai para filho, ganhou espaço no mundo acadêmico e hoje a formação é essencial para quem deseja atuar como enólogo. A alta competitividade no mercado de vinhos no Brasil exige cada vez mais mão de obra qualificada e especializada. A região sul do país abriga os principais cursos de enologia, e não podia ser diferente fato de ser responsável por 90% da produção da bebida em terras brasileiras.
Francesca Cecília Pastori, 20 anos, pretende trabalhar em uma vinícola depois de formada; já Lucy Meire Lombardi, 28 anos, deseja atuar com pesquisa. Ambas frequentam o curso superior de Enologia do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), de Bento Gonçalves. Os planos distintos para o futuro profissional comprovam a variedade de áreas que o mercado de vinhos oferece no Brasil. "A maior parte dos nossos alunos se voltam para a elaboração e análise de vinhos. Uma parcela pequena vai para a produção de uva e outra, para venda e comércio em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde não há muitos profissionais experts na bebida para atuarem como comerciantes", afirma Eduardo Giovanni, professor de enologia do campus da Cefet, de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.
Segundo Giovanni, a vida acadêmica é outra possibilidade para os formandos: "Temos pós-graduação e mestrado na área", diz. Uma grande parcela dos estudantes se matricula na faculdade com o objetivo de trabalhar na vinícola da família.
É o caso da universitária Francesca. "A minha família tem a tradição de trabalhar com vinicultura. Embora meu pai e tios paternos não tenham permanecido na carreira, meu avô e tios maternos se mantêm na viticultura até hoje. Isso me inspirou", conta a estudante do 4º semestre. Natural de Farroupilha, Rio Grande do Sul, Francesca conta os dias para começar a trabalhar na colheita.

As aulas que prometem formar especialistas em vinhos também atraem estudantes de outras regiões do Brasil. Lucy Meire se mudou de Londrina, Paraná, para a serra gaúcho com o objetivo de se qualificar para se tornar enóloga. Pretendendo seguir na área acadêmica, a estudante do 5º semestre destaca a variedade de disciplinas que o curso oferece. "Aprendemos desde a enxertia da videira e a condução dos vinhedos até a elaboração e degustação dos vinhos prontos. Também nos deparamos com aspectos administrativos e burocráticos, necessários a um profissional que geralmente tem funções além da produção", explica.
Giovanni destaca que o curso é dividido em dois níveis. O técnico, realizado juntamente com o Ensino Médio e que tem três anos de duração, e o superior, com três anos de estudo e dois anos de estágio na área. O professor explica que a diferença está na capacitação para o mercado de trabalho: "Quem fez curso técnico está apto para trabalhar com mão de obra nos vinhedos, até como supervisor da produção. Já o estudante que frequentou o ensino superior está preparado para atuar desde o recebimento da uva até o marketing do vinho", diz.

Fonte: Portal Terra