quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

50 estados americanos, 50 vinhos diferentes... (por Joel Stein)

Não tenho certeza porque o meu instinto, ao saber que todos os 50 estados americanos faziam vinho, foi me levar a degustar pelo menos um. Se eu descobrisse que cada estado tinha um parque aquático, eu não iria tentar visitar a cada um deles. Isso porque os parques aquáticos não podem te deixar bêbado. Mas, além do "dever patriótico", eu acho que eu queria experimentar um vinho de cada estado para ver se, como eu cada vez mais suspeito, um bom vinho pode ser feito em qualquer lugar.
Grandes vinhos continuam surgindo de lugares surpreendentes - Nova Zelândia, Líbano, Eslovênia - então por que não, Nebraska? Em 1976, conforme relatado no filme Bottle Shock, especialistas em uma degustação às cegas em Paris ficaram surpresos ao descobrir que eles preferiram vinhos da Califórnia no lugar de Bordeaux e Borgonhas!
Será que reorganizar a minha experiência no mundo do vinho vai criar uma legião de devotos de Merlots de Montana? E se sim, John Cusack vai me interpretar num filme? Uma razão para que algumas regiões tenham dificuldade em construir sua credibilidade, é que o vinho que os europeus e, agora, os californianos, afirmam serem bons vinhos, dependem de solos e climas específicos para as suas vinhas: o terroir.  Mas Fred Franzia, fabricante do popular Charles Shaw (US$2 por garrafa), disse-me que terroir (termo francês que abarca todas as coisas regionais, a partir do solo com o clima e a topografia) é um conceito que enólogos utilizam em demasia. "Qualquer coisa que vai crescer com sol e água. Podemos crescer no asfalto", disse ele. "Terroir não significa m... nenhuma".
Mas a minha tentativa de desbancar o terroir foi mais difícil do que eu imaginava. Embora todos os 50 estados façam vinho (desde que Dakota do Norte se juntou ao bloco em 2002), não é tão fácil de achar uma garrafa de cada estado. A maioria dos vinhos são vendidos apenas localmente, e o Alaska não vai mesmo vender seu produto, que é feito a partir de uvas provenientes de outros estados.
Ao rever as poucas garrafas selecionadas aleatoriamente, com preços em torno de US$15 a US$20, eu aprendi algumas verdades gerais. O branco é mais fácil fazer do que o tinto. Os vinhos feitos em campos de golfe não são bons. E a importância do "terroir" é definitivamente questionável, uma vez que nenhuma região do país parece estar mal adaptada para a vinificação, exceto o extremo sul.
Apesar de não botar a "mão na massa" nestas vinhas, a minha impressão é que é mais uma questão de encontrar a uva certa para o seu clima: o Riesling do Michigan, foi um dos meus favoritos.
Aprendi também que você pode fazer e, aparentemente, vender, um vinho verdadeiramente repugnante!
No cômputo geral, seis das garrafas que eu ofereci a uma dúzia de amigos,  foram unanimemente considerados "imbebíveis". 11 outros foram considerados muito bons, assim como os vinhos dos estados esperados da lista (Califórnia, Oregon, Washington, Nova York, Michigan e Texas). Se saíram bem, um Pinot Grigio de Delaware, um branco de Kentucky, um Moscatel de New Hampshire, um Cabernet do Colorado e um Chardonnay da Carolina do Norte. Dos vinhos restantes, 21 foram apenas decentes e 12 outros foram muito ruins. Em geral, os vinhos eram melhores do que eu previa, dada a novidade de muitas operações, mas todas as pessoas que os provassem pensando num vinho dos EUA, iriam decepcionar-se.  Dito isto, os vinhos mostraram um potencial de que coisas melhores estarão por vir nos próximos 5 ou 10 anos. Claro que a maioria desses vinhos eram simples demais, e eu poderia pegar uma garrafa muito melhor pelo dinheiro, escolhendo entre vinhos da Espanha ou de Portugal, mas eu tinha que testar várias uvas de que eu nunca tinha ouvido falar.

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Veja a resenha de cada um dos vinhos, os excelentes, os bons, os ruins e os... imbebíveis em:
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