segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Clube do Barolo: durante uma noite por ano, o Piemonte é aqui!


Nos últimos 11 anos, um grupo de apaixonados pelo "vinhos dos Reis" ou o "Rei dos vinhos", como também é conhecido o Barolo, se reúne em Vitória, no Espírito Santo, para a reunião anual do "Clube do Barolo".
Agregando habitualmente 12 casais, o clube é organizado pelo médico e énofilo experiente Jesse Tabachi, que assume a responsabilidade de selecionar e apresentar os vinhos que serão servidos. A temática abordada neste ano, foi  "A Diferença de Estilos: o Barolo Tradicional x Barolo Moderno".
A degustação sempre é acompanha de um jantar harmonizado, afinal, vinhos italianos do quilate dos Barolos, quase "exigem" um bom prato para os acompanhar.
Neste ano, o menu elaborado pelo renomado chef Juarez Campos, do restaurante Oriundi, foi o seguinte:
Entrada: Polenta Mole com Queijo e Ragú de Linguiça
Prato principal: Risoto piemontese com Trufas Brancas e Brasato al Barolo (mais piemontês, impossível!).
Sobremesa: Tiramisú


Antes de efetivamente começarmos o jantar harmonizado, fomos abrir as garrafas e fazer um "test-taste" dos vinhos. Uma espécie de aquecimento antes do evento principal, e também checar se algum vinho tinha algum problema (o que infelizmente aconteceu com um Barolo Gianni Gagliardo La Serra 1990... oxidado!).
Foram degustados nas preliminares, todos os vinhos que seriam servidos no jantar e bebido um Elio Altare 1991, que apesar de ser de uma safra muito ruim no Piemonte, mostrou a diferença que faz um grande produtor na elaboração de um vinho, mesmo quando o clima não ajuda muito. Este vinho mostrou-se ainda muito vivo, com taninos bem marcados mas já bastante polidos. Uma expressão perfeita de potência aliada com uma boa dose de elegância.


Um outro Barolo também foi apreciado neste período, o Prunotto Bussia 2004 (em garrafa magnum), já evidenciando o contraste entre os Barolos tradicionais e os Barolos modernos. Um vinho também muito agradável, que apresentava muita fruta vermelha e notas intensas de alcaçuz.


Ainda nas preliminares da degustação, provamos os Barolos de Pio Cesare 2004 (eleito o melhor Barolo do mundo em 2009) e 2005, para tentarmos identificar as sutis diferenças de 2 safras consideradas excelentes.
Avaliados lado a lado, a maioria considerou o 2004 realmente superior ao 2005, ainda que a diferença fosse bastante estreita, confirmando a alta qualidade dos Barolos deste produtor.

Giacosa Fratelli Barolo Vigna Manrdorlo 2004

Ainda antes do jantar, foi servido um maravilhoso Ceretto Barolo Bricco Rocche Brunate 2004 que gostei tanto, que sequer lembrei de fotografar. Um de meus preferidos, ainda jovem e já repleto de complexidade aromática e gustativa, com destaque para suas notas terrosas e trufadas.
Os 3 vinhos selecionados para acompanhar o Brasato al Barolo (feito realmente com 2 garrafas de vinho Barolo...) e o Risoto piemontese com Trufas Brancas foram os seguintes:
Giacosa Fratelli Vigna Mandorlo 2004 - Neive
Renato Ratti Marcenasco 2004 - La Morra
Aldo Conterno Barolo Ciccala 2005 - Monforte d'Alba

Renato Ratti Marcenasco 2004

Estes 3 vinhos foram postos lado a lado e procuramos observar suas qualidades e diferenças de estilo, além de identificar qual se harmonizava melhor com o prato servido (se é que isso era possível...). Pessoalmente, preferi o Barolo Ciccala do Aldo Conterno. Apresentou um belo rubi escuro, aromas frutados e algumas notas florais, taninos potentíssimos muito bem integrados ao estágio na madeira e fruta madura abundante. Muito encorpado e complexo! Um vinhaço...

Aldo Conterno Barolo Ciccala 2005
Ceretto Barolo Chinato

Refestelados pelos vinhos fabulosos e pela refeição de qualidade proporcional, passamos a sobremesa (Tiramisú) acompanhada de um "esquisitíssimo" vinho de sobremesa, o Barolo Chinato do Ceretto (um Barolo adicionado com ervas), quase um "Campari"! Vale para conhecer, mas só isso! Deu motivo para muita risada...
Logo depois, foi servido o "verdadeiro" vinho de sobremesa do Piemonte, um Moscato d'Asti que casou muito bem com o Tiramisú. 
Ufa!
Parabéns aos anfitriões (Décio e Eulália) que nos receberam com a cortesia de sempre, ao Jesse e demais membros do Clube do Barolo, que são das mais agradáveis companhias. Enfim, por uma noite, viajamos ao Piemonte sem sair de casa! Uma experiência maravilhosa e que certamente se repetirá em 2011! Aliás, a intenção é degustar no próximo evento, Barolos pontuados com o score perfeito: 100 pontos! (Wine Spectator ou Parker). O Barolo é um vinho tão caprichoso, que Parker só deu nota 100 até hoje para um único Barolo de 1989. A Wine Spectator foi "menos" exigente e já concedeu 100 pontos a apenas 5 Barolos (4 de 2000 e 1 de 1997). Vamos ver se conseguiremos colocar as mãos em alguns deles....

Em seguida, postarei detalhes de cada um dos vinhos...