sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Limite dos Vinhos...

Interessante esta matéria, que coincidiu com a chegada de algumas safras antigas de um vinho argentino que havia encomendado diretamente da vinícola, para realizar, em breve (tenho de deixar os "velhinhos" descansarem da viagem), uma grande vertical com eles. Para se ter uma idéia, a mais antiga é de 1975! Míseros 35 anos de vida!
No total, são 10 safras (1975, 1985, 1986, 1987, 1988, 1989, 1990, 1992, 1996 e 1997) e posso garantir (quem leu o post sobre o Montchenot 1988 sabe) que os vinhos estão em perfeitas condições. No mundo do vinho, tudo depende... da vinificação até as castas utilizadas, passando pelo correto armazenamento.
Tanto é assim que, no último sábado, presenteei um casal de amigos que comemorava 25 anos de casado (Bodas de Prata), com uma garrafa de um vinho espanhol Gran Reserva 1985 (ano do casamento), na certeza de que o vinho estará no auge (eu espero...)!

Leiam o artigo, é bastante esclarecedor:

"Quanto tempo vive um vinho? Não há resposta conclusiva para esta pergunta sem que se leve em conta o tipo de vinho, sua varietal ou variedades, sua cor, estrutura, nível de qualidade e condições de guarda específicas. A ultrapassada máxima: “Quanto mais velho melhor” já não merece crédito nos tempos de hoje, em que o vinho deixou de ser só arte, para ser também um negócio economicamente viável. Apenas num passado remoto, quando faltavam ao vinhateiro: tecnologia e conhecimento de campo e cantina, para aparar-lhe as arestas (taninos e acidez), cabia ao decurso do tempo, nas barricas e nas garrafas, fazê-lo. Hoje os vinhos nascem prontos e se alguns melhoram com o tempo não é indefinidamente, mas ao contrário, limitadamente. Sem querer ser matemático, mas apostando nos números e no aspecto performático do vinho, é possível dizer que, de todos os rótulos disponíveis no mercado global, 60% são vinhos de consumo rápido, considerados ligeiros, que devem ser consumidos no seu 2º a 3º ano de vida. vinte por cento encontram-se numa categoria intermediária, aflorando entre o 3º e o 6º ano, depois do qual declinam. 10% ultrapassam o 10º ano em plenitude, mas não vão muito além do 15º; 5% chegam ao ápice ao completar duas décadas; 3% atingem - plenos - bodas de prata (25 anos) e apenas 2% ultrapassam bodas de ouro (50 anos), ao que já se pode chamar de exceção da exceção.
Dentre todos estes, os que atingem maior longevidade são na sua quase totalidade os tintos e, independentemente da estrutura (componentes não voláteis somados ao álcool) que os torna longevos, se não forem observadas condições ideais de guarda, tempo algum de vida se confirmará. É por esta razão que os melhores vinhos devem ser guardados na memória, não na adega".

Fonte: Tribuna do Norte