terça-feira, 19 de outubro de 2010

Guia prático para “navegar” em um evento de vinhos!

Na contagem regressiva para o Encontro de Vinhos de Ribeirão Preto, é importante lembrar algumas coisas aos visitantes, especialmente àqueles de primeira viagem, visando tirar máximo proveito deste evento enológico que promete ser muito bom...
Pensando nisso, elaborei um pequeno guia com orientações básicas e objetivas para "navegar" na feira:

Despertar ainda mais os sentidos e aproveitar ao máximo uma feira de vinhos é uma experiência muito prazerosa, mas para isso, é recomendável seguir alguns passos básicos e garantir uma “navegação” tranqüila.
Pode parecer estranho, mas algumas providências simples, porém fundamentais, são recomendáveis ao visitar um local de degustação de vinhos. Algumas devem ser tomadas antes mesmo de chegar lá:
• Evite ir ao evento de estômago vazio, faça um lanche ou refeição leve. Como a maioria não vai fazer como os degustadores profissionais, ou seja, descartar o vinho (cuspir mesmo!) em um recipiente próprio para isso, é recomendável beber apenas um pouco da amostra e jogar fora o resto (se houver...). Ninguém vai aproveitar bem os vinhos, se os sentidos estiverem fora do lugar.
• Evite exagerar nos perfumes, especialmente “as” visitantes, pois isso pode comprometer sua apreciação olfativa dos vinhos. Batom também “deveria” ser evitado, pois pode interferir no paladar, mas como a beleza e a elegância falam mais alto, esqueçam meu comentário!
Chegando ao local do evento, antes de ficar perdido, sem saber por onde começar, simplifique, faça um breve roteiro de seu percurso, observando o seguinte:
• Inicie pelos espumantes, siga para os brancos (dos sem passagem em madeira para os com passagem em madeira). Se não souber reconhecer, pergunte a quem está lhe servindo (ele está lá para isso!). Encerrados os brancos e rosés (se houver), inicie os tintos, dos mais leves para os mais encorpados. Por exemplo, um Pinot Noir é leve, um Cabernet Sauvignon é mais encorpado (lembro que são regras, mas com várias exceções). Insisto, pergunte sempre “o quê” estão lhe servindo! Os vinhos doces ou fortificados devem ser deixados para o final.
Durante seu percurso, esteja preparado para intensificar a sua percepção sensorial, OLHE para o vinho (incline a taça levemente, vai ajudar), observe sua cor, sua intensidade e translucidez. CHEIRE seu vinho, primeiro sem girar a taça, busque na sua memória olfativa algo que lhe pareça familiar ou similar. Em seguida, agite, girando levemente a taça e observe se os aromas ficam mais intensos ou se modificam. Volte na memória e tente identificar com algo que você tenha como referência aromática. E finalmente, DEGUSTE (não beba!) colocando um pequeno gole de vinho em contato com a língua e o palato. Deixe-o aí por alguns segundos, sua língua possui setores, as papilas gustativas, capazes de reconhecer os diferentes tipos de sabor (salgado, doce, ácido e amargo). Em seguida, abra ligeiramente os lábios e puxe um pouco de ar. Isso vai intensificar as sensações gustativas que estiver sentindo. Finalmente, BEBA! Mas ainda não acabou, preste atenção e verifique se os sabores do vinho ainda permanecem na sua boca. Os melhores podem persistir muitos segundos ainda....

É isso, gaste o tempo que julgar necessário em cada vinho (um a dois minutos, pelo menos!) e tire o máximo proveito dele. A partir daí, você pode passar a observar coisas mais concretas como: quanto custa, se tem na sua loja de vinhos preferida e o mais importante, se você gostou realmente! Mas, ainda que muitos digam que vinho bom é aquele que você gosta, isto é apenas parte da equação. Naturalmente, à medida que você provar mais vinhos e conhecer outros estilos, irá adquirir a capacidade de estabelecer suas reais preferências e “educar” seu gosto gradativamente, compreendendo até mesmo as nuances existentes em vinhos que muitas vezes são produzidos lado a lado.

Aproveitem bem o evento!