quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Martinez Bujanda Grandes Reservas 1973

Um jovem senhor de 34 anos de idade!
Martinez Bujanda Grandes Reservas 1973
Esta preciosidade foi adquirida (por incrível que pareça) numa ponta de estoque da Mistral no início de 2007, por cerca de R$190,00 (preço de catálogo US$115,00).
Diante da idade, não poderia aguardar (nem queria!) muito para abrí-lo. A oportunidade surgiu naquele mesmo ano, no aniversário de um amigo que havia nascido em 1973. Dei o vinho de "presente" (na realidade o presente era abrir o vinho naquele dia!) para ele.
Preparamos então todos os procedimentos cabíveis para bebê-lo, decantamos suavemente e fomos passando para os copos, tentando aproveitar o máximo daquela experiência sensorial.
Composição:
100% Tempranillo
Amadurecimento:
Meros 25 "anos" em grandes tóneis de 20.000 litros, provavelmente de carvalho americano (não achei a confirmação).
Observações:
Como deu para perceber, o vinho passou 25 anos repousando nos tonéis e foi engarrafado em 1998. Portanto, a rolha estava perfeita e quase não haviam sedimentos (ficaram no tonel e/ou foram filtrados).
Impressões: Estilo típico da Rioja, cor granada (mais vermelho que rubi), quase transparente, mas com nenhum indício de sua longa idade no halo levemente alaranjado.
Os aromas da Tempranillo eram ainda levemente frutados, mas a complexidade aromática de notas de tabaco, defumados e madeira sobressaía nitidamente e tinham ótima intensidade.
Na boca, taninos muito finos, combinados com uma acidez perfeita, e o grande destaque: a presença da madeira, que descrevo como música ambiente (não a notamos até que a desliguem e o "ambiente" não fica mais o mesmo) da melhor qualidade, tornando o conjunto gustativo muito mais rico. A persistência na boca foi outro mérito, daqueles vinhos que se mantém no palato por longo tempo (e moram eternamente na memória!).
Considerações:
Infelizmente, nunca mais vi no catálogo da Mistral, e nem sei se a Martinez Bujanda elaborou outras safras além das de 1968, 1973 e 1975. Se alguém achar COMPRE ou ME AVISE!
Detalhe: Vinhos como este não precisam de nota, estão na categoria de Hors Concours!
Luiz Cola

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Terrazas Afincado Malbec 2004

Atendendo a pedidos!
Terrazas Afincado Malbec 2004
Este é o top da linha Terrazas da Chandon argentina, baseada em Mendoza, que também faz uma versão com Cabernet Sauvignon e Petit Manseng (colheita tardia). Inicialmente, só existia o Malbec e se chamava Terrazas Gran Malbec, sendo o primeiro produzido na safra de 1997.
Comprei uma caixa deste vinho no Free Shop do Rio, quando voltava de uma viagem. Por US$44,00 é a melhor compra a fazer (na minha opinião), se levarmos em conta sua qualidade e o custo quase 3 vezes maior nas nossas lojas. Preço médio: R$240,00. Quando o dólar estava R$1,80, representava apenas R$80,00!
Composição:
90% Malbec e 10% CS
Amadurecimento:
18 meses em barricas de carvalho francês novo.
Observações:
Como já havia mencionado em outro post, o diferencial da linha Terrazas é o conceito de plantar cada varietal em diferentes alturas e microclimas na região de Mendoza, buscando alcançar o máximo potencial da casta, ilustrando nos seus rótulos a altura dos vinhedos.
Impressões:
Produzido num estilo menos "fruta superconcentrada", comum de se encontrar em tops argentinos, este Afincado proporciona um vinho de cor rubi intensa, mas translúcida e brilhante, deixando um pouco luz passar pela taça.
Os aromas da Malbec são bastante nítidos e intensos (compota de frutas vermelhas), mas são completados por algumas notas de couro e defumado, procurando se assemelhar a um tinto bordalês. Daí talvez a razão dos 10% de CS.
Nao paladar o vinho traz a grata surpresa de já estar excelente para beber (ao contrário de outros argentinos simplesmente intragáveis depois do equivalente a uma dose de degustação), com taninos finos e macios, ótima acidez e boa persistência. Acredito que possa melhorar bastante ainda, talvez dure com a mesma qualidade por até 8 a 10 anos. Faço esta afirmação baseado nas safras 1997 e 1999 que provei em 2005 e 2007. Em 2005, os vinhos estavam com belos aromas de evolução e bastante finos e intensos. Em 2007, boa parte deste encanto já se perdeu. Assim, as 3 garrafas que ainda tenho, beberei entre este ano e 2012.
Considerações:
Pena que seu custo seja desproporcional quando comparamos com quanto custam na Argentina, mas para os que derem a sorte de encontrá-lo no Free Shop (ou implorem a um amigo...), vale cada centavo dos cerca de R$100,00 que custariam hoje.
Dei 91 pontos para ele. Em 2005, 0 1997 (93) e 0 1999 (91), já em 2007 o 1997 (90) e 1999 (89).
Luiz Cola

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Terrazas Alto Malbec, Shiraz e Cabernet Sauvignon 2006

Bons e Baratos!

Terrazas Alto Malbec, Shiraz e Cabernet Sauvignon 2006


A Chandon (do grupo LVMH) tem sua base argentina em Mendoza, onde produz uma variada linha de vinhos que vão, do espumante ao excelente tinto Afincado (antigo Terrazas Gran).
Dentro da família de vinhos Terrazas, a linha Alto nos proporciona o desejado custo x benefício, tendo o custo médio de R$30,00 por garrafa nos supermercados e lojas especializadas.
Tive a sorte de comprar várias garrafas dos três tintos varietais disponíveis no Brasil (eles fazem um Merlot também, mas nunca vi...) por módicos R$19,98 num supermercado de Vitória, no final do ano passado e resolvi abrir os 3 tipos juntos e avaliar as nuances entre eles.
Composição:
Todos são 100% Malbec, Syrah e CS respectivamente
Amadurecimento:
4 a 6 meses em barricas de carvalho usado, oriundos da linha Reserva (70% do mosto). 4 a 6 meses em carvalho francês e americano.
Observações:
A maior particularidade destes vinhos é o conceito de plantar cada varietal em diferentes alturas e microclimas na região de Mendoza, buscando alcançar o máximo potencial da casta, inclusive fazem questão de ilustrar isto em seus rótulos (pode ser um pouco de marketing, mas os resultados tem sido muito bons!).
Impressões:
Por serem jovens, a cor de todos é bastante intensa, com leves variantes tonais decorrentes da característica de cada varietal. Escuros e densos, denotam o caráter de fruta bem madura e concentrada encontrada também na linha Reserva.
Os aromas da Malbec e da CS são facilmente distinguíveis e típicos, mas no Syrah, o aroma de frutas passificadas é tão potente que esconde quaisquer outros que possam existir.
Na boca, os vinhos mostram claramente seu propósito, serem macios e concentrados, com muita fruta e fáceis de beber. Perfeitos para uma pizza ou massa no restaurante ou ainda, algum petisco que preparamos em casa para assistir um filme ou ver um jogo de futebol no meio da semana.
Considerações: Desde seu lançamento no Brasil, em 2000, tenho bebido com frequência os vinhos dela linha Alto e até então, tem se mostrado confiáveis, regulares e ótima pedida quando o custo fala mais "alto" (perdõem o trocadilho!)
A exceção fica para o Afincado, que no Brasil, tem um preço proporcionalmente muito mais alto que na Argentina, na comparação com as linhas inferiores.
Luiz Cola

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Villa Francioni Sauvignon Blanc 2007

Brancos, o Brasil além dos espumantes!

Villa Francioni Sauvignon Blanc 2007

Continuando a sequência de brancos do verão, eis aqui um dos melhores, senão o melhor branco que já provei produzido do Brasil, lá da Serra Catarinense (São Joaquim e Bom Retiro), onde o visionário Dilor Freitas, um bem sucedido industrial, criou um projeto muito pessoal e que vem demonstrando com os vinhos já produzidos, ter um grande futuro.
Devem haver outros fornecedores, por aqui, é vendido na Casa do Porto, por cerca de R$65,00.

http://www.villafrancioni.com.br/port/ficha_vinho11.html
Composição: 100% Sauvignon Blanc.
Amadurecimento: Sem passagem em madeira.
Impressões: Cor amarelo verdeal, muito límpida e cristalina.
Os aromas são intensos, predominando frutas tropicais, mas com um caráter mineral bem marcante.
No paladar, oferece ótima acidez, secando bem a boca e com ótima persistência, completando um conjunto de sensações que tornam este vinho um belo caldo para a nossa muqueca capixaba (o resto é peixada!)
Considerações: Como na maioria dos melhores vinhos brasileiros, esbarramos na questão do preço. R$65,00 para um vinho nacional é bem caro. Basta comparar com o vinho da postagem anterior (Amayna SB 2007, do Chile), de custo similar, mas com uma série de custos adicionais para chegar até nossas taças. Por uns R$40 seria uma ótima pedida. Quem sabe um dia!
Na minha avaliação pessoal, merece 89 pontos.

Luiz Cola

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Garces Silva Amayna Sauvignon Blanc 2007

Ainda dá tempo de curtir o verão!

Garces Silva Amayna Sauvignon Blanc 2007:

Apesar deste dólar maluco, aproveitei a "promoção" de fim de ano da Mistral (US$1=R$1,99) e comprei alguns vinhos para provar no verão. Dentre os que já provei, a grande estrela foi este belíssimo branco do Vale San Antonio, bem perto do Oceano Pacífico, contribundo decisivamente para o incrível frescor deste vinho.

Composição: 100% Sauvignon Blanc.

Amadurecimento: Sem passagem em madeira.

Impressões: Cor amarelo verdeal, muito límpida e cristalina.
Aromas muito intensos (seu maior mérito) de frutas tropicais, em especial o abacaxi, mas com nuances de melão e carambola bem evidentes.
Na boca, sua relevante acidez conseguiu refrescar muito bem sem causar uma secura demasiada, para usar uma expressão das cervejas, desceu "redondo". A cada gole, temos a sensação de querer mais!. Certamente um dos melhores Sauvignon Blancs do dito "Novo Mundo". Para beber o mais jovem possível!
Harmonização:
Acompanhou divinamente um Risoto de Lagosta e Camarão VG (facilidades de morar junto da praia...) que eu mesmo preparei. O vinho que já estava excelente na versão solo, com o prato... hummm!!!
Considerações: Existe a versão 'barrel fermented" deste vinho, mas custa quase o dobro. Não acho que vale a pena! Fique com 2 garrafas deste no lugar de 1 da versão com passagem em madeira. Ele não é um SB muito barato (US$33), mas não é caríssimo (pelo menos no Brasil) como os SB (também excelentes) da Casa Marin. Dei 92 pontos para ele.
COMPREM!!!
Luiz Cola

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Elderton Command Shiraz 1999

Dez anos bem vividos!
Elderton Command Shiraz 1999:
Adquirido em 2005 na Expand (quando o catálogo ainda era em dólar) por R$266,11. Hoje ainda pode-se encontrar o 2002 e 2003 por R$348,00.
Estava separado para ser degustado no dia do meu aniversário de casamento, junto de alguns outros 1999 (ano do casamento) e seria a "estrela da noite".
Este "canhão" australiano já havia vencido uma degustação às cegas denominada Volta ao Mundo em Shiraz, que organizei na época que o adquiri.
Diante de um Côte-Rôtie 2000 do Guigal, um Spice Route Flagship Syrah 2001 (África do Sul), um Planeta Syrah 2001 (Sicília), e um Château de Lascaux Cuvée Nobles Pierres 1999 (Languedoc-Roussillon), todos da Expand, o Command foi uma unanimidade na ocasião. O mais incrível para os presentes foi descobrir que um Côte-Rôtie de mais de R$400,00 foi o último na classificação. Lembro que foi tudo às cegas!
Voltando ao presente...

Composição:
100% Shiraz (Vinhas velhas, algumas com mais de 100 anos de idade).
Amadurecimento:
36 meses em carvalho francês e americano.
Observações:
Recebeu a mesma nota de Parker e da Wine Spectator: 94 pontos.
Em 2005, às cegas foi minha nota também. Neste ano, mereceu 96!
Impressões:
Ainda com um granada muito denso, nenhum halo de evolução, não denunciava seus 10 anos de modo algum. Muito brilhante!
Os aromas típicos de um Syrah potente e jovem da Austrália já começavam a ficar discretos mas evidentes. Uma fragrância de frutas vermelhas em compota sobressaía, seguida de notas de baunilha e cedro.
A boca demonstrou taninos firmes, potentes, mas com um polimento que tornavam o vinho menos impactante, mas muito interessante e agradável de beber. Apesar dos 14,5º de álcool, a acidez estava a altura para não deixar o vinho enjoativo, complementando um conjunto com capacidade para permanecer grande por uns 10 anos ou mais... (era minha única garrafa, jamais saberei... exceto, se alguém resistir em guardá-lo até um ponto qualquer no futuro).
Considerações:
Quem dera custasse os US$70/80 do mercado americano por aqui. Para nós, mortais e brasileiros, custa o dobro pelo menos. Para mim, só dá para tomar em ocasiões especiais!
Luiz Cola

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Viña Bajoz Gran Bajoz 2001

O último será o primeiro!

Viña Bajoz Gran Bajoz Toro 2001:

Adquirido na promoção de Bota-fora da World Wine por R$98,26 (sobre um valor de catálogo de R$289,00), descansou 2 semanas na adega e foi comigo para o restaurante.

Tendo adquirido algumas garrafas, estava ansioso para testar seu potencial.

Composição:

100% Tinta de Toro (uma das variantes clonais ou de nomenclatura da Tempranillo).

Amadurecimento:

12 meses em carvalho francês e americano.

Observações:

Produzido com vinhas de mais de 60 anos de vida em um único vinhedo delimitado e rendimento máximo de 2 toneladas por hectare.

Impressões:

Bela cor rubi translúcida, mostrando que ali não havia nenhuma fruta superconcentrada e apesar de parecer, não passou por filtragem (segundo o site da vinícola).

Aroma muito intenso no primeiro momento, notas de café e chocolate amargo, que foram se dissipando para frutas vermelhas bem discretas, mas bastante duradoras.

Na boca, comprovou a boa expectativa inicial, paladar fino, um pouco tânico (bem ao estilo da região), a madeira estava presente sem ser excessiva (um incômodo em alguns espanhóis) e a acidez tinha a altura desejada para o corpo médio do vinho.

Muito agradável de beber e já o seu melhor momento (acho que vai se manter mais uns 4 a 5 anos assim), deixando um ótimo final de boca.

Harmonização:

Escolhi um prato de Filet Mignon Alto grelhado com uma tira de Foie Gras acompanhado de um molho de frutas vermelhas e Purê de Batata Baroa.

Acredito ter sido uma escolha feliz, o vinho foi capaz de se equilibrar com o prato, deixando-o ainda mais saboroso. A acidez mais uma vez foi fundamental para balancear a presença do Foie Gras no prato.

Acho que abri o blog com chave de ouro!

Considerações:

Que me perdoe a World Wine, mas R$289,00 é um tanto exagerado para este vinho. Talvez uns R$150,00 fosse mais justo. Por menos de R$100,00 ele vale cada centavo!

Peço desculpas antecipadas aos que não gostam de notas. Dei 91 pontos para ele! (lembro que serve apenas aos meus critérios pessoais...)


Luiz Cola

Considerações sobre meus comentários

Caros Leitores,
Gostaria de esclarecer e delimitar as minhas intenções em dividir com vocês minhas notas e impressões sobre uma razoável quantidade de vinhos que bebo, provo ou degusto ao longo dos anos.
Durante os últimos 5 anos, estas observações ficaram confinadas num banco de dados dentro de um Palmtop, destinadas a me servir de referência para minhas aquisições ou para sugerir aos amigos que sempre me consultam (apesar das piadinhas que eles fazem com meu Palm...).
Pois bem, achei que já era hora de compartilhar com mais interessados minhas avaliações sobre cerca de 2500 vinhos e crescendo.... Com a facilidade dos blogs, pretendo regularmente ir acrescentando neste espaço minhas observações.
Deixo claro que qualquer observação ou crítica será aceita e bem-vinda.
Qualquer um que desejar me questionar sobre algum vinho, faça-o, e estando na minha base de dados, informarei com a maio brevidade possível!
Sejam bem-vindos!
Luiz Cola